
A Polícia Federal terá acesso aos dados brutos e aos registros da cadeia de custódia dos materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em endereços ligados à produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento solicitado pela corporação.
Segundo Daniela Lima, no Uol, a PF pediu que o repasse incluísse não apenas documentos apreendidos e relatórios de análise, mas também os arquivos obtidos na extração forense de mídias e os registros que comprovam a integridade do material. A corporação solicitou a entrega em mídia removível na Superintendência Regional da PF em São Paulo.
Fontes da Polícia Federal afirmaram que Dino aceitou o pedido na íntegra. O ministro relata uma frente de apuração sobre a suposta destinação irregular de emendas parlamentares ao projeto cinematográfico.
Com os arquivos e os registros de custódia, os investigadores poderão verificar a coleta e o armazenamento do conteúdo recolhido pela Polícia Civil. A PF também poderá examinar dados que não entraram na análise inicial da polícia paulista e que tenham interesse para investigações em Brasília.

Buscas alcançaram sete endereços ligados à produtora
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu sete mandados de busca e apreensão em junho em endereços ligados à dona da produtora, a institutos e a empresas relacionadas. Karina da Gama, responsável pela empresa, está no centro das apurações sobre o financiamento de “Dark Horse”.
Entre os pontos investigados está uma doação de dinheiro de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para o filme. As apurações também envolvem suspeitas sobre contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo.
A frente sob relatoria de Dino apura a suspeita de que deputados bolsonaristas tenham destinado recursos de emendas parlamentares para ajudar a financiar a produção. O deputado Mário Frias (PL-SP) figura entre os parlamentares citados nessa apuração, nega irregularidades e pediu o arquivamento do caso.
O ministro André Mendonça conduz outra investigação, sob sigilo, sobre áudios nos quais o senador Flávio Bolsonaro pediria dinheiro a Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme. O caso ganhou atenção após a divulgação do financiamento pelo Intercept Brasil, e Dino autorizou a nova frente de apuração no último dia 20.