A partir da redemocratização, os debates entre presidenciáveis passaram a ser um dos pontos altos da campanha eleitoral. A importância desse tipo de embate vem caindo, mas ainda assim é uma vitrine relevante. O da Band, neste domingo (23), no entanto, foi ganhando ar de anticlímax conforme os principais concorrentes cancelaram a participação e acabou sendo o mais esvaziado desde 1989.
Líder nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu não participar por motivos óbvios: sendo o incumbente e o único de esquerda, certamente seria alvo ataque de todos os demais concorrentes, todos da direita.
Para compensar, Lula concedeu entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, na mesma faixa de horário do debate.
Leia também: Lula defende soberania nacional e pauta fim da escala 6×1
Ao longo de 20 minutos, o presidente pôde tratar de temas importantes. Não fugiu do assunto explorado ao longo das últimas semanas — as investigações sobre seu filho, Fábio Luiz Lula da Silva, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro —, além de questões ligadas mais diretamente à vida da população. Entre elas, o fim da escala 6×1 e a defesa da soberania frente às investidas de Donald Trump contra o Brasil.
Segundo dados publicados pelo site ADTV, que costuma noticiar a audiência da TV aberta medida pela Kantar Ibope Media, o debate da Band teve média de 1,9 ponto de audiência, com pico de 2,9, enquanto a Record, no mesmo horário, teve 5,4 pontos de média.
A entrevista também teve a vantagem de ser transmitida num canal vinculado ao público evangélico, abrindo a possibilidade de Lula falar mais diretamente a uma fatia do eleitorado que tende a ser mais alinhada à direita.
Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, também desistiu de participar, alegando que a ele só interessava debater com Lula. Faz sentido: o bolsonarismo se alimenta da oposição raivosa à esquerda (Lula e PT em particular). Como política parasitária, necessita de um adversário forte para sobreviver e mobilizar sua base.
Em meio aos demais candidatos, todos de direita, Flávio não teria seu alvo predileto — e certamente teria dificuldade para articular seu discurso, já que não tem propostas concretas, nem uma herança positiva do pai para apresentar.
Além disso, com seu enorme telhado de vidro, seria alvo fácil de outro candidato do mesmo campo político, Renan Santos (Missão), que tenta se cacifar como o novo expoente da “extrema direita antissistema”, seja lá o que isso signifique.
Romeu Zema (Novo) também argumentou que não iria sem os demais oponentes de maior projeção. Com isso, o arrastado debate contou com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) que, somados, têm cerca de 11% das intenções de voto. Nem mesmo Gilberto Kassab (PSD), vice de Caiado resistiu e foi flagrado na plateia cochilando durante o programa.
Os próximos debates serão nos dias 14 de setembro (segunda-feira), feito pelo consórcio entre CNN Brasil, SBT, RedeTV!, entre outros); 27 de setembro (domingo), na Record; e 1º de outubro (quinta-feira), na TV Globo, logo após o Jornal Nacional. A participação de Lula ainda não foi confirmada e a campanha está analisando caso a caso.