
O Washington Post foi obrigado a recontratar a colunista de opinião Karen Attiah e a pagar os salários retroativos após uma árbitra privada concluir que o jornal não conseguiu comprovar que ela havia cometido “falta grave” ao publicar comentários nas redes sociais relacionados à morte do ativista conservador Charlie Kirk.
Attiah havia sido demitida quase um ano atrás do cargo de editora de opinião global do jornal. A decisão da árbitra privada Sarah Miller Espinosa, divulgada na quinta-feira, determinou a reintegração da jornalista e a compensação financeira pelo período em que ficou afastada.
Segundo Espinosa, o Washington Post “não conseguiu estabelecer que a reclamante tenha cometido falta grave”.
A demissão ocorreu em 11 de setembro, um dia depois de Kirk ser morto a tiros em um campus universitário em Utah. Na mesma data, Attiah também publicou comentários sobre outro ataque a tiros ocorrido no Colorado, que deixou duas pessoas feridas e o adolescente apontado como autor morto após um disparo contra si próprio.
A carta de demissão, divulgada pela própria jornalista em 16 de setembro, dizia que ela havia sido dispensada por “falta grave”. O documento afirmava que os comentários sobre a morte de Kirk violavam as políticas de redes sociais do jornal, prejudicavam a integridade da organização e poderiam colocar em risco a segurança física dos funcionários.
Entre as publicações destacadas pelo jornal estavam dois posts no Bluesky.
Em um deles, publicado no dia da morte de Kirk, Attiah escreveu que parte do que mantém os Estados Unidos tão violentos seria a insistência em exigir que as pessoas demonstrassem “cuidado, bondade vazia e absolvição” em relação a homens brancos que defendem ódio e violência.
Em outro post, publicado mais tarde, afirmou que se recusar a participar de um luto performático por um homem branco que defendia a violência “não é a mesma coisa que violência”.

As publicações fizeram parte de uma série de comentários feitos pela jornalista após a morte de Kirk.
Em outro deles, Attiah atribuiu a Kirk uma declaração segundo a qual mulheres negras não teriam capacidade cerebral para serem levadas a sério e precisariam “roubar a vaga de uma pessoa branca”.
Uma semana depois, porém, ela esclareceu que havia encontrado originalmente a frase em uma reportagem da revista The Nation e que o texto havia sido posteriormente atualizado para deixar claro que a declaração se referia especificamente a pessoas como Joy Reid e Michelle Obama.
Na mesma publicação, Attiah afirmou que as declarações de Kirk contra negros eram suficientes para sustentar as críticas e compartilhou uma reportagem do Guardian intitulada “Charlie Kirk em suas próprias palavras: ‘negros à espreita’ e ‘a estratégia da grande substituição’”.
Críticas às armas e à violência política
Attiah também publicou uma série de comentários sobre a violência armada nos Estados Unidos.
Em um post no dia 10 de setembro, escreveu que gostaria de ter esperança em relação ao controle de armas e de acreditar que “a violência política não tem lugar neste país”. Em seguida, afirmou que os Estados Unidos vivem em uma sociedade que aceita crianças brancas serem massacradas por armas de fogo e que, mais do que aceitar a violência, “a adora”.
Cerca de 30 minutos depois, voltou ao tema e afirmou que, embora a violência política não devesse ter lugar no país, os Estados Unidos não fariam nada para reduzir a disponibilidade das armas utilizadas nesses ataques.
Segundo Attiah, a repetição de discursos contra a violência sem medidas concretas representaria uma forma de “desamparo aprendido”, porque, em sua avaliação, os Estados Unidos estariam “doentes” e sem uma cura à vista.
Pouco depois, ela afirmou que os Estados Unidos, especialmente os americanos brancos, não fariam o necessário para retirar as armas de circulação. Para a jornalista, o resultado seria a repetição de “pensamentos e orações” e de discursos contra a violência como uma demonstração performática de virtude, e não como uma disposição real para pressionar as comunidades pelo desarmamento.
A decisão agora obriga o Washington Post a reverter a demissão e compensar Attiah pelos salários correspondentes ao período em que ficou afastada. O entendimento também representa uma derrota para a justificativa apresentada pelo jornal, que havia classificado os posts como “falta grave”.