
Todos os dias alguém algum colunista das corporações de mídia pede licença e se agrega à tropa que caça, ao mesmo tempo, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Fábio Luis da Silva, para fragilizar o STF e Lula e tentar melhorar a vida da direita e da extrema direita.
O núcleo duro desse jornalismo subserviente funciona à base de vazamentos. A turma de apoio reforça que qualquer vazamento, de qualquer vazador, é bem-vindo. Porque, dizem eles, o importante é defender o interesse público.
O que essa tropa não diz é que todos os que comem pela mão de vazadores e os que apoiam a receptação estão construindo habeas preventivos. Porque todos os receptadores são municiados por gente que está cometendo crimes dentro do serviço público.
A principal receptadora, a colunista Malu Gaspar, do Globo, não é a única a fazer receptação, mas é a figura que exige hoje maior proteção. Se o seu colega Octavio Guedes tivesse cobertura mínima de gente da própria Globo, onde ele e Malu trabalham, saberíamos mais dos vazadores e dos receptadores do que sabemos até agora.
Guedes informou, a partir de suspeitas apuradas pela Polícia Federal, que um delegado da PF é apontado como o vazador de informações sobre as investigações em torno do filho de Lula. Há muito tempo se sabe que um perito da PF vaza informações para Malu Gaspar.
E todos sabemos, inclusive os estagiários do STF, que um ex-delegado da PF abastece um blogueiro vigarista do Maranhão na caçada a Flávio Dino, como reação de uma quadrilha envolvida em assassinato, desvio de emendas e chantagens.
Todos eles são abastecedores de informações de interesse de gente da direita e da extrema direita. Trabalhando dentro de corporações de Estado. São pagos por essas instituições e por todos nós.
O risco que eles enfrentam, como servidores públicos que cometem delitos graves, não é o mesmo enfrentado pelos receptadores. Mas quem capta vazamentos, sob o argumento de que os vazadores são ‘fontes’, poderá um dia ter de explicar como captou tanta informação.
É jogo pesado, com gente barra pesada, que pode ter atraído jornalistas para a tentação do furo a qualquer custo, sem se preocupar com escrúpulos e regras de conduta da profissão. Com o repetido argumento de que fonte pode ser bandido, porque o jornalista estará sempre com o Direito e a razão.
Por isso, pela sensação de que podem tudo, as corporações, com a Globo à frente, decidiram que o filho de Lula deve ser manchete todos os dias. Sempre a partir do que é vazado. As redações funcionam como dutos dos vazadores.

Esqueceram os crimes de Flávio Bolsonaro, na reta final até a eleição, e centraram fogo no filho de Lula. Há o que fazer? O comando da Polícia Federal, onde trabalham ou trabalhavam (o perito foi afastado e um delegado é aposentado), saberá gerir essa situação?
Não acreditem nessa possibilidade, até porque os vazamentos contra o filho de Lula acontecem, segundo Octavio Guedes, dentro do gabinete do ministro André Mendonça. Só haveria uma chance de conter essa gente: se o jornalismo investigativo desvendasse como isso funciona.
O problema é que o Brasil tem hoje meia dúzia de jornalistas destemidos, que podem ser chamados de investigativos, mas não podem tudo. Os outros, que compõem uma maioria de profissionais sérios, são apenas jornalistas com fontes.
O jornalismo investigativo é hoje uma tarefa de heróis dentro de corporações que voltam a ser terrivelmente golpistas. Jornalistas investigativos são micos-leões-dourados em redações degradadas e desencorajadas por comandos viciados em lavajatismo.