Estamos em pé, lutando, sem nos render, afirma presidente de Cuba

A resistência do povo e do Partido Comunista frente às imposições genocidas dos Estados Unidos é um dos grandes trunfos de Cuba desde que o país resolver trilhar o caminho do socialismo. A partir de 1959, sob o comando de Fidel Castro, até hoje, sob a presidência de Miguel Díaz-Canel, a nação enfrenta todo tipo de investida, mas se mantém firme, sem se render, como diz o próprio presidente.

“O imperialismo está tentando, por todos os meios, nos asfixiar economicamente para provocar uma explosão social. Ou seja, para que o povo, em consequência do acúmulo de insatisfações e privações, chegue a uma ruptura com o governo cubano, levando à famosa queda da Revolução, que eles tanto desejaram e pela qual tanto esperaram”, declarou Díaz-Canel, em longa entrevista à jornalista Mônica Bergamo, publicada na Folha de S.Paulo deste domingo (23).

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Ele salientou que, com as mais recentes sanções — somadas às já aplicadas historicamente — restringem o funcionamento do país e “estão se transformando em um genocídio”.

Cuba, que sempre foi referência em saúde pública, lida como pode com as graves restrições que as medidas dos EUA impõem ao país, com efeito especialmente cruel sobre os mais vulneráveis. Neste momento, explicou Díaz-Canel, “há uma lista de espera de mais de 98 mil pacientes para cirurgias, entre eles 12 mil crianças. Há mais de 117 mil pacientes com câncer, entre eles cerca de 1.200 crianças, que não estão recebendo os tratamentos oncológicos. Há mais de 3 mil pessoas para as quais temos dificuldades em garantir o tratamento de hemodiálise”.

Além disso, “já são mais de 64 mil crianças com seus esquemas de imunização atrasados, o que nunca aconteceu. A mortalidade infantil, que era de quatro a cinco mortes a cada mil nascidos vivos —uma taxa de países desenvolvidos— mais que dobrou. São mortes de crianças. Que poderiam ter sido evitadas porque nós sabemos como evitar”.

Criatividade e combatividade

O presidente reconheceu que a situação é complexa, mas enfatizou que “com uma enorme criatividade, que se soma à heroica capacidade de resistência do povo cubano, estamos buscando alternativas e há uma luta plena para superar essas adversidades com nossos próprios esforços e talento”.

Ele ressalta que, mesmo sem energia elétrica, “todos os dias nossos médicos e enfermeiros chegam aos hospitais para salvar vidas. Sem energia elétrica, nossos professores concluíram o ano letivo e formaram mais de 30 mil estudantes universitários”.

Ao longo da entrevista, Díaz-Canel se posicionou contra a “solução” da “abertura” ao capitalismo que Cuba supostamente deveria fazer para melhorar sua situação. Tal posição é comumente adotada pelos críticos do país e pela grande imprensa brasileira, mesmo sabendo que as dificuldades enfrentadas por Cuba são resultado de imposições imperialistas e intervencionistas que, há décadas, tentam minar a experiência cubana, em total desrespeito à soberania, aos direitos humanos e à autodeterminação dos povos.

“Em séculos de existência, o capitalismo demonstrou não ter solução para os problemas. A desigualdade cresce a cada ano no mundo”, declarou.

Na sequência, ponderou: “O socialismo, em Cuba, esteve bloqueado desde que surgiu. Portanto, é muito cínico questionar um sistema quando você não permite que ele se desenvolva plenamente”. E arrematou: “Se somos tão incapazes, por que nos bloqueiam? Se somos tão ineptos, tão ineficientes, por que nos bloqueiam? Não seria melhor deixar que caíssemos por conta própria? Eles sabem que Cuba, mesmo bloqueada, conseguiu solucionar problemas de justiça social que não estão resolvidos nos EUA”.

Em Cuba, “há um Partido Comunista que representa o povo, que controla e aplica essa reforma”, disse Díaz-Canel, sobre as medidas econômicas que vêm sendo tomadas pelo país para atrair recursos e melhorar as condições de vida da população.

“Há unidade da maioria do povo em torno desse partido. E há participação popular. Esses três elementos são a garantia de que não haverá um processo de restauração capitalista. O povo não permitiria porque sabe o que a revolução significou em matéria de benefícios”, completou.

Díaz-Canel também denunciou a política de morte adotada com ainda mais força pelos EUA sob Donald Trump nos últimos anos e seus efeitos sobre os povos atacados. “Aquilo que pode acontecer hoje com Cuba, e que já aconteceu na Venezuela e em Gaza, poderá acontecer com qualquer nação se permitirmos que o mundo se renda aos desígnios dessa administração [dos EUA]. O fascismo está ressurgindo e sabemos as consequências. Sabemos o que é o Holocausto. O mundo vai se submeter a isso?”, indagou.

O presidente enfatizou que Cuba é um “país de paz”, mas que “há uma retórica constante de ameaças por parte dos EUA” e que “o povo está se preparando para a defesa”. Sem revelar detalhes, disse que “todas as semanas há um Dia Nacional da Defesa. As estruturas estão ativadas. Temos uma concepção que é a Guerra de Todo o Povo”.

Ele acrescentou que “conhecemos as tendências da arte militar contemporânea, estudamos as guerras e as últimas invasões. Estudamos as capacidades do Exército norte-americano. Também temos nossa capacidade e nossa dignidade”.

E concluiu: “Fidel nos ensinou que os reveses se transformam em vitória e que nenhum inimigo, por mais poderoso que seja, é invencível. Sabemos que vai ser duro. Sim, está sendo duro. Mas, veja: aqui estamos, em pé, lutando, sem nos render”.

(PL)

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