
Entidades do setor de etanol repudiaram neste sábado (22) uma declaração do candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro sobre a mistura obrigatória do biocombustível na gasolina. Em uma transmissão nas redes sociais, ele comparou o teor de 32% à “reduflação” e afirmou que, se eleito, atuará para rediscutir o percentual. Com informações do Canal Rural.
Unica, Unem, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana afirmaram que a comparação distorce os efeitos da medida. “A afirmação desinforma o consumidor e desqualifica uma política de Estado construída ao longo de cinco décadas, sob governos de todas as orientações — do Proálcool ao RenovaBio e à Lei do Combustível do Futuro”, diz a nota conjunta.
As entidades também destacaram que a Lei do Combustível do Futuro passou pelo Senado com a anuência de Flávio. O grupo sustenta que o etanol tem elevada octanagem, movimenta a produção em mais de mil municípios e contribui para a autossuficiência brasileira nos combustíveis usados por veículos leves.
O Instituto Mauá de Tecnologia ensaiou misturas de 27%, 30% e 32% em 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos da frota fabricada entre 1994 e 2024. Os testes ocorreram em laboratório e pista, com acompanhamento da ANP, de fabricantes e de importadores, e concluíram que o teor de 32% não prejudica o desempenho nem o consumidor.

Campanha de Flávio e presidente do BNDES respondem
A campanha de Flávio afirmou que ele defende o setor sucroenergético e pretende transformar o Brasil em uma potência de biocombustíveis. A nota cita propostas para ampliar o RenovaBio ao exterior, aplicar a Lei do Combustível do Futuro e permitir a venda de créditos de carbono pelo país.
O plano também prevê redução de impostos sobre o etanol hidratado, simplificação tributária e crédito para inovações em biogás e hidrogênio verde. A campanha defendeu a presença do etanol na gasolina como política de Estado, mas acusou o governo Lula de usar a medida de forma “episódica para tentar conter a alta dos preços às vésperas de uma eleição”.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, classificou a declaração de Flávio como equivocada e afirmou que a substituição parcial da gasolina por uma fonte renovável reduz a dependência do petróleo. “Isso significa menos dependência do petróleo, mais mercado para o produtor rural, mais atividade para a indústria brasileira e maior segurança energética”, declarou.
Mercadante informou que o BNDES aprovou mais de R$ 17 bilhões para 17 projetos de biocombustíveis desde o início de sua gestão, ante R$ 4,4 bilhões no governo anterior. Os empreendimentos devem ampliar a produção anual de etanol em mais de 5 bilhões de litros, enquanto outros R$ 1,7 bilhão financiam tecnologias como motores híbridos flex e motores a etanol para máquinas agrícolas em projetos de Volkswagen, Stellantis e Toyota.