
O jornalista Bernardo Mello Franco compara a atuação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), à de Sergio Moro durante a eleição de 2018. Na coluna intitulada “André Mendonça será o novo Sergio Moro?”, publicada no Globo deste domingo (23), ele questiona a diferença de ritmo entre as investigações sobre o Banco Master e Lulinha e afirma que vazamentos relacionados aos inquéritos já influenciam a disputa presidencial. Leia trechos:
“Estão nas mãos de Mendonça o caso Master, que arranhou a imagem de Flávio Bolsonaro, e dois inquéritos do caso Lulinha, que ameaça os planos do presidente. As investigações parecem andar em ritmos diferentes. Uma não produz fatos novos desde maio, quando o site The Intercept Brasil revelou a intimidade do senador com Daniel Vorcaro. A outra ocupa o noticiário com vazamentos em série, pautando a eleição a seis semanas do primeiro turno.” (…)
“Mendonça não costuma dar entrevistas, mas seu gabinete fala pelos cotovelos. Na quinta-feira, soube-se que a Procuradoria-Geral da República pediu o envio do caso Lulinha à primeira instância. Argumentou que a investigação não cita autoridades com foro privilegiado, o que justificaria a permanência no Supremo. Assim que o pedido veio a público, Mendonça fez circular que vai recusá-lo. A informação foi atribuída a ‘interlocutores’ do ministro — método de divulgação judicial que fez escola na Lava-Jato.”

“Em 2018, a caneta de Moro desequilibrou a eleição presidencial em favor de Bolsonaro. Depois de prender o candidato que liderava as pesquisas, o juiz interrompeu as férias para impedir o cumprimento de uma decisão que mandava soltá-lo. A seis dias do primeiro turno, divulgou uma delação de alto impacto contra o PT. O titular da 13ª Vara Federal de Curitiba desfrutava uma imagem de herói, depois demolida pela anulação de suas sentenças.” (…)
“Nesta quinta, Flávio disse considerar seu envolvimento no caso Master uma ‘página virada’. O candidato do PL tem razões para se sentir protegido. Desde que as conversas com Vorcaro vieram à tona, nada lhe aconteceu. Ele permanece a salvo de novos vazamentos, operações de busca ou intimações para se explicar à polícia.”