Janja exalta trajetória de Benedita, que prega união contra volta dos ‘coisas ruins’ no RJ

A primeira-dama Janja Lula da Silva exaltou a trajetória política de Benedita da Silva (PT-RJ) e declarou apoio à candidatura da deputada federal ao Senado durante o comício de Lula no estádio Moça Bonita, em Bangu. “Eu quero você no Senado Federal para representar muito as mulheres do Rio de Janeiro e as mulheres do Brasil”, afirmou.

Janja lembrou a trajetória pioneira de Benedita, primeira vereadora negra do Rio de Janeiro, primeira senadora negra do Brasil e primeira mulher negra a governar um estado brasileiro. Ela também homenageou a força das mulheres cariocas.

“Rio de Janeiro, terra de Elza Soares, que fez da própria voz um grito de resistência contra o racismo, o machismo e a violência. Terra de mulheres gigantes como Marielle Franco, que transformou sua voz em luta por direitos e justiça”, disse.

Janja destacou o papel das mulheres na vitória eleitoral de 2022 e afirmou que elas voltarão a ser decisivas para o futuro do país.

Fomos nós, em 2022, a força decisiva para eleger o presidente Lula. E seremos nós, mulheres, mais uma vez, esta força fundamental para o futuro do nosso querido Brasil, do país que queremos para nós e para nossas meninas. Um país onde elas possam crescer livres, sem medo e, principalmente, com muitas oportunidades”, afirmou.

A primeira-dama defendeu um Brasil que enfrente o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres e meninas. Também citou a necessidade de ampliar escolas em tempo integral, cuidar da saúde das mulheres em todas as fases da vida e garantir condições para que elas possam trabalhar, estudar e realizar seus sonhos com tranquilidade.

Janja relacionou o combate à violência à criação de oportunidades para a juventude. Segundo ela, o país precisa manter meninos e meninas na escola, praticando esportes, aprendendo uma profissão e construindo um futuro longe do crime.

Ao citar diferentes regiões e comunidades do estado, Janja afirmou que Lula está ao lado das mulheres da Maré, da Rocinha, do Alemão, da Cidade de Deus, da Zona Oeste, da Baixada Fluminense, da Região Metropolitana e da Região Serrana. Ela também mencionou as cariocas que acordam cedo e enfrentam dois ou três transportes públicos para chegar ao trabalho.

“Queremos mulheres vivas, mulheres saudáveis em toda a sua amplitude, mulheres com tempo para trabalhar, estudar, descansar, viajar, namorar e curtir suas famílias. Mulheres têm que ter tempo para cuidar de si mesmas e para fazer o que quiserem”, afirmou.

Benedita contra volta dos “coisas ruins”

Benedita exaltou a aliança formada com o PSD para afastar a extrema direita do poder no Rio de Janeiro e dar continuidade aos avanços proporcionados pelo Governo Lula nos últimos três anos e meio. No palanque, ao lado do deputado federal Pedro Paulo (PSD), que também concorre ao Senado, a petista pregou a união das duas forças políticas.

“Minha gente, olha, eu disse uma coisa e vou repetir aqui para vocês: se vocês querem, realmente, que volte para o estado do Rio de Janeiro aquelas ‘coisas ruins’, eu não quero”, disparou Benedita. “E, por isso, estou unida a Pedro Paulo, ao Eduardo Paes e ao presidente Lula para que a gente possa ganhar mentes e corações para votar nessa aliança”, completou.

Benedita argumentou que o momento é de união. A deputada pediu à militância presente no Moça Bonita que votasse nela, em Lula e nos aliados do partido no Rio.

“Nós precisamos de Pedro Paulo no Senado, nós precisamos de Benedita no Senado. São dois votos no estado do Rio de Janeiro. Compreendam isso: qualquer outro nome que vocês possam votar que não seja dessa aliança, nós poderemos amargar muito no futuro”, alertou.

Pedro Paulo também destacou a necessidade de união para recuperar o Rio de Janeiro, elogiou o currículo de Benedita e criticou os atuais representantes do estado no Senado. Um deles é Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República e adversário de Lula em outubro.

“O Rio de Janeiro virou as costas para o Senado porque o Senado esqueceu o Rio de Janeiro lá em Brasília. A gente tem dois senadores que são do PL, que estão lá para defender terra plana e ser contra a vacina, que o que querem fazer lá em Brasília é lacrar na rede social, é lacrar na rede social e todo dia xingar o presidente da República. Não têm respeito e viraram as costas para o nosso estado”, disse Pedro Paulo.

Dos operários de Bangu a João Saldanha

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), destacou o simbolismo da escolha do estádio Moça Bonita para receber o comício. O Bangu foi fundado por operários da antiga fábrica do bairro e carrega uma história de luta contra o preconceito no futebol brasileiro.

Cavaliere lembrou que o clube ficou cinco anos fora da Liga Metropolitana porque as demais equipes não queriam enfrentar um time formado por trabalhadores e jogadores negros. Quando retornou, o Bangu reuniu “italianos, portugueses, poloneses, ingleses, negros e brancos trabalhadores da fábrica”.

O prefeito também recordou o amistoso disputado no estádio que antecedeu a demissão de João Saldanha do comando da seleção brasileira, às vésperas da Copa de 1970. “Foi o último jogo que o Brasil jogou no país antes de João Saldanha ser demitido por pressão do regime militar”, afirmou.

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