Gabinete de Mendonça reage a suspeita da PF sobre delegado bolsonarista

André Mendonça STF Dark Horse Caso Master Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reagiu neste sábado (22) à suspeita de integrantes da Polícia Federal sobre um delegado que trabalha na equipe do magistrado em meio aos vazamentos relacionados às investigações sobre Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A assessoria afirma que os policiais federais cedidos ao gabinete não participam das investigações e diz que o próprio Mendonça defende a apuração da origem das informações sigilosas divulgadas. Com informações do g1.

A desconfiança foi revelada pelo jornalista Octavio Guedes na sexta-feira (21). Segundo ele, integrantes da PF suspeitam especificamente de um delegado lotado no gabinete de Mendonça, descrito internamente como bolsonarista. O episódio ocorre num ambiente de acusações cruzadas: enquanto integrantes da corporação apontam para o gabinete do ministro, há também suspeitas no entorno de Mendonça sobre vazamentos atribuídos à direção da PF.

Dois delegados da Polícia Federal trabalham atualmente no gabinete e que um deles mantém desavenças com a atual direção da corporação. A equipe de Mendonça sustenta, porém, que esses agentes não desempenham funções investigativas no Supremo. Até agora, não foi apresentada publicamente prova de que qualquer um deles tenha sido responsável pelos vazamentos, e a identidade do delegado apontado nas suspeitas internas da PF não foi divulgada.

A reação do gabinete ocorre também após um pedido apresentado pela defesa da lobista Roberta Luchsinger para ampliar a investigação sobre o vazamento de conversas e documentos protegidos por sigilo. A solicitação busca alcançar agentes públicos que tiveram acesso ao material, inclusive policiais federais cedidos ao gabinete de Mendonça. Esse movimento é diferente do pedido feito posteriormente pela defesa de Lulinha.

Viatura da Polícia Federal
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Na sexta-feira, Mendonça determinou, após solicitação dos advogados do filho do presidente Lula, que a Polícia Federal investigasse novos vazamentos relacionados aos inquéritos. A ordem estabelece que a apuração deve mirar pessoas que tinham o dever funcional de preservar o sigilo e não jornalistas responsáveis pela publicação das informações. O ministro também ressaltou a proteção constitucional ao sigilo da fonte.

O gabinete de Mendonça negou ainda que um dos delegados de sua equipe tenha participado da produção de relatórios sobre servidores identificados como antifascistas durante o período em que o ministro comandava o Ministério da Justiça no governo Jair Bolsonaro. O episódio foi lembrado por Octavio Guedes ao relatar o ambiente de desconfiança entre a atual direção da PF e integrantes da equipe do magistrado.

A sequência transforma os vazamentos em uma frente paralela às próprias investigações sobre Lulinha. De um lado, a PF apura quem retirou informações sigilosas dos autos; de outro, cresce a disputa sobre onde os dados começaram a circular. Por enquanto, existe uma suspeita interna relatada sobre um delegado do gabinete de Mendonça, mas nenhuma conclusão oficial que atribua a ele ou a outro integrante da equipe a responsabilidade pelos vazamentos.

Artigo Anterior

Sakamoto: Lula e Renan têm mais voto por propostas, Flávio depende mais da rejeição

Próximo Artigo

Mudanças climáticas e saúde mental: quando nem os anciãos indígenas e quilombolas conseguem mais entender a natureza

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!