Uma nova onda de ataques de drones na fronteira e em territórios ocupados deixou ao menos seis civis mortos entre a noite de sexta-feira (21) e a madrugada deste sábado (22). O bombardeio contra o território russo atingiu um armazém da empresa de e-commerce Ozon, em Samara, e uma refinaria em Novokuibyshevsk. Segundo as Forças Armadas da Ucrânia, a ofensiva integra uma estratégia para enfraquecer a infraestrutura econômica que sustenta o esforço de guerra do Kremlin.
A investida ucraniana deixou vítimas em múltiplas frentes. Em Krasnodar, no sul da Rússia, duas crianças morreram após um ataque atingir a cidade portuária de Yeysk. Mortes de civis também foram registradas nas regiões fronteiriças de Belgorod e Luhansk, província no leste ucraniano sob controle de Moscou. O Ministério da Defesa da Rússia declarou ter abatido 457 drones durante a noite.
Ofensiva russa atinge alvos urbanos
A escalada do conflito ocorre após dois dias de intensos bombardeios russos em solo ucraniano. Na sexta-feira (21), um ataque atingiu um centro comercial movimentado em Kryvyi Rih, deixado 15 mortos e dezenas de feridos. No dia anterior, uma investida em larga escala contra a capital, Kiev, danificou uma escola, um hospital infantil, uma creche e cerca de 30 edifícios residenciais.
Moscou confirmou as ações militarizadas, mas alegou ter mirado instalações de fabricação de drones e depósitos de suprimentos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rebateu a justificativa e classificou os bombardeios como atos diretos de terrorismo.
“Ataques como esse são simplesmente atos de terrorismo. E o mundo precisa reagir de forma correspondente, exercendo pressão real sobre o agressor“, cobrou.
Pressão por sistemas de defesa antiaérea
Diante do avanço dos mísseis balísticos e de quase duas centenas de drones lançados contra as cidades ucranianas, Kiev voltou a pressionar os aliados ocidentais pelo fornecimento urgente de baterias antiaéreas Patriot.
“A maior ameaça é a dos mísseis balísticos. E isso depende inteiramente do fornecimento de mísseis para os sistemas Patriot destinados à Ucrânia, o que significa que depende dos parceiros do nosso Estado. Não se pode simplesmente observar em silêncio, com indiferença e inação, enquanto os russos destroem vidas“, criticou.
Em resposta aos apelos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que prioriza o envio de recursos antibalísticos junto aos países-membros do bloco e parceiros internacionais.
No plano diplomático, o Kremlin declarou desconhecer negociações presenciais em Moscou com representantes americanos, após Kiev sinalizar o envio de novas propostas de paz aos Estados Unidos.