
O ex-policial militar bolsonarista Romero Andrade foi preso em flagrante na noite de sexta-feira (21), após ameaçar o ex-governador da Paraíba e candidato a deputado federal Ricardo Coutinho (PT) durante uma atividade de campanha no bairro dos Bancários, em João Pessoa. Os agentes apreenderam com ele um simulacro de arma de fogo e uma faca.
Testemunhas e a Guarda Municipal relataram que Andrade começou a xingar e ameaçar Coutinho enquanto o candidato discursava. Ele também teria agredido militantes que participavam do ato, e um deles ficou ferido.
Apoiadores de Coutinho contiveram o ex-PM até a intervenção de um policial à paisana que estava no local. O agente efetuou a prisão, e a Guarda Municipal conduziu Andrade à Central de Polícia Civil.
Coutinho interrompeu a atividade, prestou depoimento e registrou boletim de ocorrência em uma unidade policial. O responsável pela prisão e duas testemunhas também prestaram depoimento. “A política deve ser feita com diálogo, respeito, liberdade e democracia. Nenhuma ameaça vai nos afastar das ruas ou do compromisso com o povo”, afirmou o ex-governador.
Defesa contesta ameaça e Polícia Civil investiga o caso
O advogado Ayrllan Rodrigues confirmou a prisão em flagrante, mas contestou a versão das testemunhas. Segundo a defesa, Andrade estava na Praça da Paz como um “cidadão comum” para acompanhar a movimentação política e não levou o simulacro com a intenção de ameaçar Coutinho. O advogado afirmou que a faca era um objeto de uso pessoal e cotidiano.
Em uma rede social, Andrade mantém publicações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a Flávio Bolsonaro, além de postagens que exaltam a violência policial. No perfil, ele se apresenta como sargento da Polícia Militar da Paraíba e homem “temente só a Deus”.
O governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) disse ter cobrado atenção das forças de segurança para evitar novos episódios de violência durante o processo eleitoral. O candidato ao governo Cícero Lucena (MDB), o PT da Paraíba e a senadora Daniella Ribeiro (PP) também manifestaram solidariedade a Coutinho e repudiaram a violência política.
A Polícia Civil mantém o caso sob investigação e deverá apurar as circunstâncias da ocorrência, a natureza das ameaças e a eventual responsabilidade criminal de Andrade.