Comício de Flávio Bolsonaro no Rio começa flopado, e campanha alega lotação impossível

Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Divulgação/Victor Salles

O comício do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, começou flopado neste sábado (22). Um vídeo publicado pelo Estadão mostra grandes espaços vazios nas arquibancadas e no piso do ginásio, com o público concentrado nas proximidades do palco.

A cena não corresponde apenas a um registro feito antes da abertura dos portões. Segundo o UOL, às 9h45 as arquibancadas ainda estavam vazias. O público aumentou depois do início dos discursos, por volta das 10h. Vídeos posteriores mostram setores mais ocupados, o que impede afirmar que o ginásio permaneceu esvaziado até o encerramento do evento.

Uma análise dos quadros iniciais feita pelo DCM aponta uma faixa aproximada de 3 mil a 5 mil pessoas no momento registrado pelo Estadão. A estimativa considera a proporção das arquibancadas visíveis e a ocupação do piso, mas não equivale a uma contagem por catracas: o vídeo é vertical, não apresenta uma visão de 360 graus e foi gravado em ambiente escuro.

Depois da repercussão das imagens, a organização apresentou uma conta muito diferente. O Diário do Rio informou, com base exclusivamente em números fornecidos pelos responsáveis pelo evento, que mais de 18 mil pessoas teriam entrado no Maracanãzinho e outras 4 mil ficado do lado de fora. Não foram divulgados dados de catracas, contagem policial, imagens aéreas ou metodologia que sustentassem os números apresentados.

Além disso, a contagem divulgada não bate com a capacidade conhecida do ginásio. Após sua modernização, o Maracanãzinho passou a comportar cerca de 11.800 pessoas, número também registrado em bases sobre os Jogos Olímpicos do Rio. A ficha exibida pelo Google Maps menciona uma capacidade aproximada de 14 mil, ainda assim 4 mil abaixo do público alegado pela organização.

Pela capacidade de 11,8 mil, a versão divulgada pela campanha representa uma superlotação de 6,2 mil pessoas, ou 52,5% acima do limite nominal. Mesmo no cálculo mais favorável, com todos os assentos ocupados e a quadra de 800 metros quadrados inteiramente disponível, seria necessário colocar 7,75 pessoas por metro quadrado no piso. O espaço real era menor por causa do palco, das grades, dos corredores e das áreas de acessibilidade. Sem um plano do evento ou laudo dos bombeiros autorizando configuração extraordinária, a conta de 18 mil não tem sustentação.

O ato serviu para lançar a candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio. Flávio discursou sobre segurança pública, atacou Lula e Eduardo Paes e deixou o local sem falar com a imprensa.

Enquanto o evento do PL tentava preencher o Maracanãzinho, Lula realizava no mesmo horário seu primeiro comício de campanha no Rio, no Estádio Moça Bonita, em Bangu. O presidente estava acompanhado de Eduardo Paes, candidato ao governo estadual, e dos candidatos ao Senado Benedita da Silva e Pedro Paulo.

Uma semana antes, o ato de abertura da campanha de Flávio Bolsonaro em Copacabana reuniu cerca de 8,9 mil pessoas no horário de pico, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.

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