
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter deixado uma linha vermelha para Donald Trump: o Brasil aceita cooperação contra o crime organizado, mas não tutela estrangeira.
Durante comício na Praça da Estação, em Belo Horizonte, nesta sexta-feira (21), Lula relatou o teor da conversa mantida horas antes com o presidente dos Estados Unidos. “Nós queremos trabalhar juntos. O que nós não queremos é interferência no Brasil”, disse.
O telefonema durou 1h20. Lula contestou as justificativas usadas pelos Estados Unidos para impor novas tarifas aos produtos brasileiros e classificou as acusações como infundadas. Trump defendeu a preservação dos vínculos comerciais e propôs a retomada das reuniões entre representantes dos dois governos.
No campo da segurança, Lula reafirmou que o Brasil pretende cooperar com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. O presidente, porém, rejeitou a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas e argumentou que o país possui instrumentos próprios para enfrentar as facções sem abrir espaço para ingerência externa.
➡️ Lula revela o que conversou com Trump: “Não queremos interferência no Brasil” pic.twitter.com/kvLtIa170T
— Metrópoles (@Metropoles) August 22, 2026
No comício, Lula afirmou que Trump reconheceu os argumentos apresentados pelo governo brasileiro. Segundo o petista, o secretário de Comércio estadunidense já procurou seu equivalente no Brasil e uma reunião foi marcada. Até a noite desta sexta, a Casa Branca não havia divulgado um relato detalhado próprio sobre o telefonema.
As guerras também entraram na conversa. Lula contou ter sugerido que Trump convidasse Vladimir Putin e Xi Jinping para seu clube de golfe na Flórida. “Convida os caras pra tua casa. Toma um trago”, disse, ao defender negociações para encerrar os conflitos internacionais.
O presidente encerrou o relato com uma defesa da soberania nacional. “Se a gente não se respeitar, ninguém respeita a gente”, afirmou. A conversa diplomática, descrita oficialmente como cordial, tornou-se no palanque um recado contra qualquer tentativa de tutela sobre o Brasil.