Violência de colonos israelenses avança sobre áreas palestinas da Cisjordânia

A violência de colonos israelenses contra palestinos está avançando para áreas da Cisjordânia ocupada que, pelos Acordos de Oslo, deveriam estar sob controle palestino e integrar um futuro Estado da Palestina.

Segundo levantamento da organização israelense de direitos humanos Yesh Din, citado pelo The Guardian, quase dois terços dos episódios de violência registrados em 2026 ocorreram nas chamadas Áreas A e B.

A mudança representa uma alteração significativa no padrão dos ataques. Enquanto a Área C, que corresponde a cerca de 60% da Cisjordânia e permanece sob controle israelense, concentrou 67% dos incidentes no ano passado, a proporção caiu para 37% em 2026. Na Área B, por outro lado, os episódios passaram de 25% para 55%.

Pelos Acordos de Oslo de 1995, a Área A, que inclui as principais cidades palestinas e representa aproximadamente 18% da Cisjordânia, ficou sob administração civil e controle de segurança da Autoridade Palestina. Na Área B, correspondente a cerca de 22% do território, os palestinos assumiram a administração civil e a responsabilidade pela ordem pública, enquanto Israel manteve poderes de segurança.

Novos postos e avanço territorial

De acordo com o relatório da Yesh Din, desde 2024 colonos passaram a estabelecer novos postos agrícolas nas Áreas A e B, inclusive em locais próximos a importantes cidades palestinas. A organização afirma que a expansão ocorre com tolerância ou apoio de instituições estatais israelenses.

O movimento é acompanhado por declarações de lideranças de colonos que defendem ampliar sua presença justamente nos territórios destinados à administração palestina. Ministros do governo israelense, como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, também já defenderam o fim da divisão territorial estabelecida pelos Acordos de Oslo.

Para a Yesh Din, a combinação entre expansão dos postos, violência e deslocamento de comunidades palestinas pode resultar na concentração da população em centros urbanos e no esvaziamento das áreas rurais ao redor.

Os dados das Nações Unidas reforçam a dimensão do problema. Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), até 20 de julho, 18 palestinos haviam morrido em episódios envolvendo colonos na Cisjordânia em 2026. A agência registrou ainda uma média de aproximadamente 190 ataques por mês nos quatro primeiros meses do ano.

A escalada já provocou sanções de Estados Unidos e países europeus contra colonos e figuras ligadas ao movimento de assentamentos. Para a Yesh Din, porém, a expansão da violência para as Áreas A e B revela algo mais amplo: uma estratégia para ampliar o controle israelense sobre a Cisjordânia e reduzir a presença palestina no território.

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