
O presidente Lula telefonou nesta sexta (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e detonou o tarifaço imposto contra produtos brasileiros. O petista afirmou que as medidas se baseiam em “alegações infundadas”.
A conversa ocorreu após os Estados Unidos aplicarem, em julho, duas tarifas sobre o Brasil. As medidas atingem milhares de produtos exportados ao mercado americano.
“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil. O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”, disse o governo em nota.
Uma das tarifas tem alíquota de 12,5% e se apoia em acusações de falhas no controle da importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Outros países também receberam essa cobrança. O Brasil já enfrentava uma sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos e, em determinadas situações, as duas cobranças se somam e alcançam uma alíquota de 37,5%.
A sobretaxa de 25% decorreu de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas injustas pelos Estados Unidos. A sanção alcança uma ampla lista de mercadorias brasileiras. Apesar da abrangência, o governo americano excluiu itens estratégicos da pauta de exportações do Brasil. Carne bovina e café estão entre os produtos isentos da sobretaxa de 25%.

Lula e Trump também discutiram segurança pública
Durante a ligação, Lula e Trump também discutiram a cooperação entre os países no combate ao crime organizado. O petista voltou a negar que facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), podem ser consideradas terroristas.
“Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las”, prosseguiu a nota do governo.
A nota relata que o mandatário americano “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.
Leia a nota do governo na íntegra:
O presidente Lula telefonou esta manhã, dia 21 de agosto, para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, que durou uma hora e vinte minutos, abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global. A ligação transcorreu em tom amistoso e cordial.
Sobre a recente imposição de novas tarifas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o presidente Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas.
Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil.
O presidente Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível.
O presidente Lula reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado. Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas. Afirmou que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las. Informou sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima.
Também comentou sobre a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública em colaboração com os Estados da federação. Também mencionou o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. O presidente Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área.
Os dois presidentes trocaram impressões sobre os principais conflitos globais, em especial as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos.
O presidente Trump teceu considerações sobre as perspectivas de resolução do conflito com o Irã. O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República