A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), protocolou, nesta quinta-feira (20), dois pedidos de informação, na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal (PF), relativos a dois casos envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): sobre o pedido de dinheiro feito a Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” e sobre uma mansão em Angra dos Reis (RJ).
A parlamentar quer quais os procedimentos já realizados na apuração a respeito do pedido de valor milionário feito por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, para supostamente financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
O caso veio à tona após publicação, pelo Intercept Brasil, de diálogo entre os dois, mostrando proximidade entre o senador e o banqueiro, preso pela maior fraude já realizada no sistema bancário brasileiro. Flávio pediu R$ 134 milhões (dos quais recebeu R$ 60 milhões), valor muitíssimo superior ao de produções cinematográficas brasileiras que concorreram ou receberam premiações internacionais.
Quando a denúncia foi publicada, Flávio primeiramente tentou negar; depois, diante de provas incontestáveis, tentou colar a versão de que seria uma negociação envolvendo apenas dinheiro privado. No entanto, os recursos de Vorcaro decorrem de fraudes envolvendo, inclusive, dinheiro de servidores públicos aposentados e pensionistas. A revelação foi feita há mais de 100 dias, e até hoje o senador não esclareceu o que de fato ocorreu.
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Outro ponto bastante nebuloso envolvendo o caso é qual foi o real uso do dinheiro, que teria sido enviado para um fundo nos Estados Unidos, gerido por pessoas ligadas a Eduardo Bolsonaro. Uma das linhas de investigação é se os recursos foram usados para custear as despesas de Eduardo no país, enquanto ele fazia campanha contra o Brasil junto ao governo de Donald Trump. O caso está sendo investigado pela PF, com autorização da PF.
A líder ainda pediu informações a respeito de uma disputa judicial envolvendo uma casa de R$ 10 milhões em Angra dos Reis (RJ), vendida ao jogador Richarlison e pela qual Flávio ficou bastante interessado, num imbróglio jurídico que começou há mais de 20 anos e envolve, ainda, uma advogado amigo do senador.
De acordo com a solicitação, Flávio Bolsonaro teria sido chamado como testemunha no caso da mansão por ter visitado a propriedade e demonstrado interesse em comprá-la. Por isso, foram solicitadas informações sobre eventuais procedimentos relacionados à ocupação, negociação ou transferência dos direitos sobre o imóvel.