
A Polícia Civil prendeu Sérgio Luiz Marinho dos Santos, de 38 anos, suspeito de se passar por gerente bancário para desviar cerca de R$ 1,3 milhão de Matilde de Cunha, aposentada de 85 anos, em São Paulo. Os investigadores afirmam que ele ganhou a confiança da vítima e controlou as finanças dela durante sete anos.
A investigação atribui ao suspeito saques, empréstimos contratados em nome da aposentada e transferências para contas ligadas ao esquema. A polícia ainda calcula o prejuízo total, mas a estimativa apresentada pela família supera R$ 1 milhão.
O delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial de Parque São Lucas, disse ao programa “Balanço Geral”, da Record, que Sérgio frequentava a casa da idosa e passou a fazer parte de sua rotina. “Ela começou a confiar mais e mais nele e passou o acesso às contas para essa pessoa. Essa pessoa começou a administrar a vida dela, a vida financeira dela”, afirmou.
Os policiais também apuram a transferência de dois imóveis que Matilde herdou. A apuração indica que a idosa teria sofrido coação para ir a um cartório e assinar documentos de repasse dos bens aos suspeitos.

Filho da aposentada alertou familiares sobre o golpe
Um dos imóveis fica no Parque São Lucas, na zona leste da capital. A construção existente no terreno foi demolida, e registros municipais apontam a intenção de construir uma nova casa no local.
O caso chegou à polícia depois que Alexandre, filho de Matilde, desapareceu. Surdo e não verbal, ele teria percebido movimentações suspeitas nas contas da mãe e enviado mensagens a parentes e conhecidos para alertá-los.
Bento relatou que Sérgio e a namorada, Aury Isabella Alves Gurgel, de 26 anos, teriam internado Alexandre em uma clínica de reabilitação para interromper os alertas. A família encontrou o homem posteriormente, e a investigação sustenta que ele permaneceu internado contra a vontade.
Aury é considerada foragida e a polícia investiga sua possível participação no esquema, além de procurar outros envolvidos. Os agentes cumpriram 15 mandados de busca em endereços da capital e da Grande São Paulo; algumas pessoas prestaram esclarecimentos, sem prisões.
Sérgio já havia sido preso anteriormente por suspeita de estelionato contra idosos. Enquanto a Polícia Civil tenta identificar todas as movimentações e participantes, a família de Matilde planeja recorrer à Justiça cível para recuperar o patrimônio da aposentada.