A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se a favor do envio do inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para a primeira instância da Justiça Federal. Em parecer sob sigilo encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral Paulo Gonet sustentou que a investigação sobre o filho do presidente da República não envolve autoridades com foro por prerrogativa de função que justifiquem a permanência dos autos no tribunal.
O caso está sob análise do ministro André Mendonça, relator de dois dos três inquéritos abertos na Corte para apurar suspeitas de tráfico de influência e lobby no governo federal. A decisão de declinar da competência cabe agora ao magistrado.
As apurações da Polícia Federal (PF) miram a relação de Fábio Luís com a empresária Roberta Luchsinger. Segundo os investigadores, ambos seriam sócios do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em projetos de negócios, incluindo a tentativa de venda de uma proposta de canabidiol ao Ministério da Saúde com previsão de 20% de remuneração. Entre 2023 e 2024, Luchsinger realizou ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência — contudo, apenas uma figurou em agendas públicas oficiais.
Diálogos obtidos pela PF indicam que a empresária utilizava o nome do filho do presidente para abrir portas na administração pública.. O negócio com a pasta da Saúde não foi concluído.
As conversas gravadas também citam pagamentos que somam R$ 249 mil e compra de joias para o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Ribeiro, que declarou ter devolvido os valores após o início das apurações. Em outro trecho, a empresária menciona o advogado Otto Medeiros como “sócio do Cassio“, em referência ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF.
Em nota, o ministro informou que “não é e nunca foi sócio do senhor Otto Medeiros em qualquer empreendimento“, destacando que “os dois mantêm uma relação de amizade, porém o ministro se declara impedido nos processos em que o advogado atua no STF.“
Defesas rejeitam irregularidades
As defesas de Fábio Luís Lula da Silva e de Roberta Luchsinger negam qualquer ilegalidade nas condutas investigadas.
Em publicação nas redes sociais, Luchsinger declarou que “não tem sido fácil viver sob ataques diários. Ver meu nome e também pessoas queridas sendo atingidas por acusações, julgamentos e narrativas que desconsideram os facts é profundamente doloroso“.
A empresária sustentou ainda que “criminalizar relações de amizade é algo que afronta os princípios mais elementares do Estado Democrático de Direito. Nenhuma democracia se fortalece quando vínculos pessoais passam a ser tratados como motivo para suspeitas ou narrativas que desconsideram os fatos“.