
O TRE-PR (Tribunal Regional Eleitoral do Paraná) ordenou que a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) retire, em um prazo de 24 horas, uma nova postagem em que afirma que o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo) está inelegível até 2031. A decisão também proíbe novas publicações com a mesma alegação, sob pena de multa diária de R$ 1 mil. A defesa de Gleisi anunciou que irá recorrer.
A nova determinação judicial se refere a uma postagem realizada por Gleisi nas redes sociais Instagram e Facebook na semana anterior. Nela, a petista compartilhou uma certidão emitida pelo TSE em 16 de abril, que documenta o trânsito em julgado do caso em que a candidatura de Deltan foi cassada em 2023. Segundo os advogados de Gleisi, o documento provaria que o ex-procurador permanece inelegível até 2031.
A desembargadora federal Gisele Lemke apresentou uma interpretação diferente. Em sua decisão, ela indicou que a questão sobre uma possível inelegibilidade para futuras eleições “não se resolve automaticamente a partir do indeferimento de registro em pleito anterior”, devendo ser analisada em um processo específico e no momento apropriado. Para a magistrada, apresentar a situação como um fato consumado pode levar o eleitorado a equívocos no período pré-eleitoral.
Rapaz, não sobrou NADA! Gleisi Hoffmann ATROPELOU Deltan Dallagnol sem piedade. Deltan deu chilique porque Gleisi criticou a promoção indecente do procurador Januário Paludo, cúmplice dele na farsa da Lava Jato, e tomou essa baita resposta 👏🏾 🔥 pic.twitter.com/NEj0aWc2Yl
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) 12 de abril de 2026
A relatora já havia solicitado a retirada de outra publicação de Gleisi na semana anterior, em um processo movido pelo diretório estadual do NOVO no Paraná. Na liminar de 15 de abril, Lemke anotou que a representação não era o meio processual adequado para tratar de forma definitiva a questão sobre registro de candidatura ou declaração de elegibilidade. No mesmo despacho, ela considerou “especialmente sensível” a afirmação contundente de que Deltan estaria inelegível até 2031.
A defesa de Gleisi classifica essas decisões como censura. Em entrevista à Folha, o advogado Ângelo Ferraro argumentou: “Inequivocamente consideramos que Deltan Dallagnol está inelegível em razão da decisão do TSE de 2023, que teve trânsito em julgado”. Por outro lado, Deltan afirma que está apto para concorrer nas eleições de 2026. Ambos são adversários políticos e pré-candidatos ao Senado no Paraná.
No julgamento realizado em maio de 2023, o TSE cassou por unanimidade o registro de candidatura de Deltan para deputado federal. Na ocasião, a Corte determinou que ele havia solicitado exoneração do MPF em um contexto que se enquadra na Lei da Ficha Limpa, revertendo a decisão do TRE-PR que havia permitido sua candidatura em 2022. O ponto que segue em disputa agora é se esse entendimento gera, de maneira automática, um impedimento para a eleição de 2026 — tese que foi rejeitada, até o momento, pela Justiça Eleitoral do Paraná no âmbito dessas representações.