
O Primeiro Comando da Capital (PCC) foi considerado pelo governo dos Estados Unidos como a “principal ameaça” à segurança nacional do Brasil. Em um relatório do Departamento de Estado, que foi obtido pela coluna de Paulo Cappelli no Metrópoles, a Casa Branca afirma que a facção tem um poder crescente, atuando em 22 estados brasileiros e em 16 outros países.
“Com uma população de cerca de 215 milhões de pessoas, o Brasil ocupa o segundo lugar, atrás dos Estados Unidos, no que diz respeito ao consumo total de cocaína. O Brasil faz fronteira com os três maiores países produtores de cocaína do mundo, sendo um destino e um ponto de passagem para drogas traficadas ilegalmente”, indica o documento.
O relatório destaca que as autoridades brasileiras já conseguiram interceptar “carregamentos aéreos e marítimos de cocaína com destino aos Estados Unidos, África e Europa”, e que suas operações já se expandiram para os Estados Unidos.

Além de abordar as atividades do PCC, o relatório também destaca a crescente colaboração entre os Estados Unidos e o Brasil no enfrentamento ao tráfico de drogas. O treinamento de agentes da Polícia Federal por autoridades americanas tem sido uma das principais formas de cooperação, focando em técnicas de apreensão e investigação.
Em maio de 2024, após treinamento nos EUA, agentes brasileiros realizaram uma grande apreensão no estado do Amazonas, confiscando 2,2 toneladas de cocaína e 76 quilos da substância, o que foi considerado “a maior apreensão de cocaína em grandes quantidades na história da região amazônica no Brasil”, segundo o Departamento de Estado.
O relatório também menciona que, em agosto do mesmo ano, agentes da PF apreenderam 114 kg de cocaína escondidos no porão de um navio que estava prestes a sair do Porto de Santos com destino à Europa. De acordo com o documento, “mergulhadores especializados da PF realizaram essa operação após receberem treinamento financiado pelos EUA”.
O governo americano ainda ressalta que o Brasil tem se esforçado “para fortalecer a cooperação regional e internacional para detectar e controlar o surgimento de Novas Substâncias Psicoativas (NSP) e expandir seu Sistema Piloto de Alerta Precoce como membro da Coalizão Global para Combater as Ameaças das Drogas Sintéticas”.