Novo prazo para o lançamento do livro de Iahia Sinuar

A obra O Espinho e o Cravo, de autoria do ativista palestino Iahia Sinuar, ganhou uma nova data de lançamento no Brasil. Conforme informado pela Editora Democritos, responsável pela edição, o livro estará disponível em formato físico no dia 9 de maio. A versão digital, por sua vez, será enviada na próxima semana aos leitores que já garantiram seu exemplar.

A editora comunicou ao Diário que essa decisão foi tomada após diálogo com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o partido político mais influente na Palestina, cofundado por Iahia Sinuar. O motivo do atraso é o aprimoramento da tradução do árabe, que passará por novas revisões. Também serão feitos ajustes gráficos e melhorias na organização do evento de lançamento em São Paulo.

O lançamento da obra ocorrerá em diversas regiões do Brasil. Eventos nas principais capitais, como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, estão programados para as semanas seguintes ao lançamento em São Paulo.

Atualmente, o livro pode ser adquirido por R$235,00, sendo este valor exclusivo para o pré-lançamento, que aumentará para R$270,00 a partir do dia 9 de maio. Não perca tempo e faça já a sua compra de O Espinho e o Cravo, garantindo assim acesso antecipado à versão digital. Para mais informações, entre em contato pelo número (11) 99741-0436.

Sobre o autor e a obra

Iahia Sinuar nasceu em 1962 no campo de refugiados de Khan Iunis, na Faixa de Gaza, proveniente de uma família que foi deslocada de Ascalão durante a nakba de 1948. Ele completou sua formação em Língua e Literatura Árabe na Universidade Islâmica de Gaza e se destacou como uma figura importante na resistência islâmica palestina, tendo sido preso em 1988 e cumprido uma sentença de prisão perpétua até ser libertado.

O manuscrito foi escrito ao longo dos anos dentro das prisões, especialmente na de Bersebá, e foi mantido graças ao empenho coletivo de outros prisioneiros. Várias pessoas transcreveram o texto manualmente, escondendo-o das autoridades, num esforço que pode ser comparado ao trabalho incansável de formigas que transportam alimentos para fora do formigueiro. Esse esforço secreto possibilitou que a obra chegasse ao público, apesar das dificuldades enfrentadas.

O Espinho e o Cravo não se trata de uma autobiografia, mas sim de uma narrativa ficcional que entrelaça memórias pessoais do autor com a história do povo palestino. O título simboliza a dualidade da vida sob ocupação: o espinho representa a dor, as feridas e os desafios impostos pela opressão, enquanto o cravo evoca a beleza da resistência e a esperança que brota mesmo em meio ao sofrimento. Essa metáfora encapsula a essência da narrativa, onde espinhos podem tanto ferir quanto proteger, e flores podem inspirar e perfumar.

A narrativa aborda momentos significativos da história contemporânea palestina, desde a naksa de 1967, que resultou na ocupação de Gaza, Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Sinai e Golã, até os primeiros anos da Segunda Intifada, também conhecida como Intifada de Al-Aqsa (iniciada em 2000). O romance discute questões como a resistência armada e popular, os efeitos da ocupação na vida cotidiana, as divisões políticas entre grupos palestinos (incluindo referências a blocos dos anos 1970), as prisões em massa, torturas, operações de inteligência israelenses e a formação de lideranças na luta pela liberdade.

Sinuar narra a história através de personagens em sua maioria fictícios, elaborados para se adequar à estrutura romanesca, com arcos dramáticos, conflitos internos e relações interpessoais, mas sempre ancorados em eventos reais. Alguns personagens são inspirados em pessoas que o autor conheceu ou de quem ouviu relatos. Dessa forma, o livro se torna uma representação da experiência coletiva dos palestinos, capturando a luta por libertação em meio à opressão sionista.

No prefácio, escrito em 2004 na Prisão de Bersebá, Sinuar descreve sua abordagem de forma clara:

“Esta não é a minha história pessoal, nem a de um indivíduo específico, embora todos os eventos sejam reais. Cada evento, ou cada conjunto de eventos, pertence a este ou aquele palestino. A única ficção nesta obra é a transformação em um romance que gira em torno de personagens específicos, para atender aos requisitos de um trabalho romanesco. Todo o resto é real; eu vivi isso, e muito disso ouvi de pessoas que, junto com suas famílias e vizinhos, passaram por isso ao longo de décadas na amada terra da Palestina.”

Ele dedica a obra “àqueles cujos corações se apegam à terra de Isra e Miraj, do oceano ao Golfo, na verdade, de oceano a oceano”, referindo-se à jornada noturna do Profeta Maomé (Isra e Miraj).

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