O trabalho por aplicativos (apps) cresce a cada ano entre os brasileiros e a sua regulamentação é uma necessidade para oferecer dignidade, benefícios e um valor mínimo de remuneração aos trabalhadores. Prova de que o tema é urgente é trazida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que observou mais de 2 milhões de pessoas que trabalharam por apps no Brasil em 2025.
Desse contingente, 1,2 milhão de pessoas, 58,9% do total, atuam no transporte de passageiros, em apps como Uber e 99. Outra parcela, de 585 mil pessoas (29,9%), trabalha com aplicativos de entrega de comida e produtos, como iFood e Keeta, enquanto 313 mil trabalhadores (16%) realizavam atividades por meio de aplicativos de prestação de serviços gerais ou profissionais. Os percentuais se sobrepõem porque um mesmo trabalhador pode utilizar aplicativos de diferentes categorias, sendo contabilizado em mais de uma delas.
Como o Brasil tinha 102,4 milhões de pessoas ocupadas no terceiro trimestre de 2025, os 2 milhões de trabalhadores por apps ou plataformas digitais representam 1,9% do total.
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O número de trabalhadores por plataformas digitais vem crescendo. Em 2022, eram 1,5 milhão de trabalhadores plataformizados e, em 2024, o contingente havia chegado a 1,9 milhão. No entanto, o IBGE alerta que os dados não podem ser comparados diretamente com os de 2025, porque a Pnad sobre trabalho por plataforma passou por uma mudança na metodologia. Nas edições de 2022 e 2024, foram considerados apenas trabalhadores que tinham os aplicativos como ocupação principal, deixando de fora aqueles que os utilizavam como fonte de renda complementar.
Para permitir a comparação, o IBGE calculou também o número de trabalhadores de 2025 que tinham os aplicativos como ocupação principal. Nesse recorte, eram 1,3 milhão em 2022, 1,7 milhão em 2024 e 1,8 milhão em 2025, o que representa crescimento de 9,1% em um ano e de 36,8% em três anos. Entre 2024 e 2025, o número de entregadores por aplicativo cresceu 18,6%, sendo a única ocupação a registrar uma variação de dois dígitos.
Entre os trabalhadores que tinham as plataformas como ocupação principal, 26,8% apontaram a flexibilidade como principal motivo para utilizá-las, enquanto 24,6% disseram não ter conseguido encontrar outro trabalho.
Previdência
Entre os condutores de automóveis que trabalhavam por meio de plataformas, 25,5% contribuíam para a previdência em 2025, enquanto, entre os não plataformizados, o percentual era de 59,2%.
Já entre os condutores de motocicletas no trabalho principal, 405 mil (34,4%) trabalhavam por meio de aplicativos, e menos de um quinto contribuía para a previdência.
Salário similar, mas com jornadas muito mais longas
Em 2025, o rendimento médio mensal real habitualmente recebido pelos trabalhadores plataformizados em serviços foi de R$ 3.147, valor praticamente igual aos R$ 3.148 registrados entre os não plataformizados.
Apesar da proximidade nos rendimentos mensais, os trabalhadores plataformizados tinham jornadas mais longas. Eles trabalhavam habitualmente, em média, 5,4 horas a mais por semana do que os trabalhadores do setor privado, com uma jornada semanal de 44,7 horas, contra 39,3 horas dos não plataformizados.
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A diferença na jornada fazia com que o rendimento por hora dos trabalhadores por app fosse menor. Em 2025, eles recebiam, em média, R$ 16,2 por hora, 12% abaixo dos R$ 18,4 recebidos pelos não plataformizados. Em relação a 2024, o rendimento mensal dos plataformizados, de R$ 3.151 naquele ano, permaneceu praticamente estável em termos reais, enquanto o dos não plataformizados teve aumento real de 4,1%.
Para os valores dos trabalhadores de apps, o IBGE já calcula o valor recebido após os pagamentos dos custos com combustível e outros gastos.