
Um relatório da Polícia Federal apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, autorizou a emissão de cartões de crédito para os filhos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As mensagens integram o material enviado ao ministro André Mendonça para avaliação de uma possível investigação.
A conversa registrada pela PF ocorreu em 2 de outubro de 2025 entre Vorcaro e Guilherme Benazzi, que trabalha no escritório de Viviane Barci, advogada e mulher de Moraes. Benazzi procurou o banqueiro para pedir um contato que tratasse dos cartões de Giuliana e Alexandre.
“Bom dia Daniel, é o Guilherme, que trabalha com a Viviane, tudo bom? Quer me passar algum contato para falar a respeito do cartão de crédito da Giuliana e Alexandre?”, escreveu Benazzi. Vorcaro respondeu e encaminhou o contato de uma funcionária do banco identificada como Adriana Solano Master.
No mesmo dia, Adriana questionou Vorcaro sobre a liberação dos cartões. “O Guilherme que trabalha com a dra. Viviane me ligou para emitir cartão para os filhos dela… Limite de 300 para cada… Posso seguir?”, escreveu. O banqueiro respondeu: “Ok”.

Mensagens foram anexadas ao material analisado por André Mendonça
A PF anexou as mensagens ao conjunto de documentos que trata das relações entre Vorcaro, Moraes e o escritório de advocacia de Viviane Barci. A advogada firmou um contrato de consultoria milionário com o Banco Master.
O relatório também afirma que Moraes editou um documento ligado ao contrato que beneficiou financeiramente o escritório de sua mulher. O material passou a integrar a análise sobre um possível inquérito envolvendo as relações entre o ministro e o dono do banco.
Moraes e Viviane Barci negam ilegalidades na relação profissional do escritório com o Banco Master. A existência dos cartões e as mensagens trocadas entre pessoas ligadas ao banco e ao escritório aparecem como elementos reunidos pela Polícia Federal.
André Mendonça avalia as providências a partir do material recebido. A abertura de investigação contra um ministro do STF depende de autorização do plenário da Corte, medida que ainda não ocorreu.