
Lula (PT) voltou a chamar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de “imperador” em entrevista à âncora Christiane Amanpour, da CNN, nesta segunda (21). O petista detonou o republicano pela forma de conduzir o governo americano e contestou as tarifas impostas por Washington.
“É uma forma de governar com a qual não concordo. Ele tem um jeito de governar baseado em ‘sou o mais forte, sou o mais poderoso, sou o mais rico, posso tudo, e todos os outros têm que obedecer’”, disse Lula.
O presidente brasileiro definiu essa postura como “a lei do mais forte” e afirmou que rejeita esse método nas relações entre países. “Não concordo com isso. Quanto mais forte, pior”, declarou.
Lula também detonou as medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos. “Acho que aquelas tarifas foram baseadas em mentiras”, acrescentou.
President Trump has “a way of governing that I do not agree [with],” Brazil’s President Lula tells me. “He has a way of governing… ‘I’m the mightiest, I’m the richest, I can do everything and all the others have to obey’… I don’t agree with that.” pic.twitter.com/E7R2dXXxmw
— Christiane Amanpour (@amanpour) September 21, 2026
O petista ainda disse que Trump foi eleito para chefiar os EUA, mas “não tem o direito de governar outros países”. “Ele não tem o direito de impor a sua vontade. Gosto de ser respeitado e de demonstrar respeito”, prosseguiu.
Questionado sobre as pesquisas de intenção de voto que mostram empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL), ele diz que sempre fica preocupado nas eleições, mas que a situação atual é mais crítica: “O que está em jogo hoje é uma escolha: ou temos democracia, ou temos barbárie. Vamos vencer as eleições mais uma vez”.
Brazil’s President Lula is facing a tight race as he campaigns for an unprecedented fourth term. He tells me he’s always concerned before any election, but argues the stakes are now higher: “What is at stake today is a choice, that either we have democracy, or we have barbarism.”… pic.twitter.com/ICWFWun9dM
— Christiane Amanpour (@amanpour) September 21, 2026
Lula já havia detonado a postura de Trump em outras ocasiões
Esta não foi a primeira vez que Lula usou a palavra “imperador” para se referir a Trump. O presidente brasileiro já havia feito a comparação em ao menos outras duas ocasiões, ao comentar a política externa e as decisões comerciais dos Estados Unidos.
Em junho, durante coletiva de imprensa na cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, Lula afirmou que Trump seguia agindo como um “imperador” e que “fala muito e ouve pouco”.
Em entrevista anterior à CNN, concedida em julho do ano passado, Lula disse que Trump precisava lembrar que foi eleito para governar os Estados Unidos. “Ele não foi eleito para ser o imperador do mundo”, afirmou na ocasião.
Na mesma entrevista, ao discutir o tarifaço contra o Brasil, Lula defendeu uma negociação entre os dois governos antes de medidas comerciais. Ele afirmou que Brasil e Estados Unidos mantêm boas relações há 200 anos e criticou Trump por, em sua avaliação, romper protocolos e a liturgia das relações entre chefes de Estado.