
Flávio Bolsonaro (PL) classificou como uma “grande farsa” o processo que levou à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e afirmou que o pai foi julgado por seus “inimigos”. A declaração ocorreu durante a sabatina da TV Globo nesta sexta-feira (28), depois que César Tralli perguntou que garantias o eleitor teria de que o grupo político do candidato não voltaria a atacar a democracia.
Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão. Segundo o STF, o núcleo do qual fazia parte foi responsável pelo planejamento e pela articulação de ações destinadas a impedir a posse de Lula depois das eleições de 2022. A condenação abrangeu golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
Flávio Bolsonaro contestou a decisão e concentrou sua resposta nos atos de 8 de janeiro. Argumentou que os participantes das invasões não formavam uma organização criminosa armada e afirmou que Bolsonaro não poderia ser responsabilizado pela depredação porque estava nos Estados Unidos. “É uma depredação de patrimônio público por Wi-Fi? É o golpe da Disney?”, questionou.
🚨 Flávio chama condenação de Bolsonaro de “grande farsa” e transforma resposta em ataques a ministros do STF. pic.twitter.com/AXaUBbwHmR
— deok (@lauricadeok) August 29, 2026
A condenação do ex-presidente, porém, não se limitou à participação física nos ataques de 8 de janeiro. A decisão do STF tratou de uma sequência de atos anteriores, incluindo ataques ao sistema eleitoral, pressões sobre as Forças Armadas e ações destinadas a impedir a alternância de poder. Ao resumir o processo, Tralli também citou o plano que previa a morte de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.
O jornalista lembrou que o general da reserva Mário Fernandes, que ocupou cargo no Palácio do Planalto durante o governo Bolsonaro, confirmou em interrogatório ser autor do documento “Punhal Verde e Amarelo”. Fernandes reconheceu a autoria, mas sustentou que o texto era apenas um “pensamento digitalizado” e que não teria sido compartilhado. O documento previa ações contra Lula, Alckmin e Moraes.
Flávio Bolsonaro também atacou os ministros que participaram do julgamento do pai. Chamou Alexandre de Moraes de “inimigo declarado”, citou o fato de Flávio Dino ter sido indicado por Lula e lembrou que Cristiano Zanin havia atuado como advogado do petista. Na parte da entrevista transcrita, o candidato não apresentou uma proposta específica de garantia institucional para responder à pergunta inicial de Tralli e preferiu sustentar que Bolsonaro foi vítima de perseguição judicial.