Um censor da ditadura ficaria envergonhado. Por Moisés Mendes

Luiz Fux e André Mendonça. Foto: Antonio Augusto/STF

Parem tudo de novo. Cumpriu-se no final da noite de segunda-feira o que estava previsto. Luiz Fux, na condição de ministro do Supremo, atendeu a um recurso de Flávio Bolsonaro e voltou a censurar conteúdos publicados na internet que possam configurar fake news contra o candidato, no caso aquele de Nossa Senhora Aparecida.

Fux derrubou a decisão de Flávio Dino, que havia cassado, também como ministro do STF, uma determinação do Tribunal Superior Eleitoral, tomada por André Mendonça, que na sexta-feira mandara retirar do ar conteúdos relacionando Flávio à história da santa.

No domingo, Dino suspendeu a medida de Mendonça, e Fux agora suspendeu a medida de Dino, até que o plenário do STF decida o que fazer. Volta a censura, determinada por um ministro escolhido pelas esquerdas e que se alinha de novo à extrema direita.

É do jogo político do Judiciário em todo o mundo? Pode ser. Mas é estranho que um ministro da mais alta Corte do país, indicado pelo PT, alinhe-se de novo às posições do bolsonarismo contra a liberdade de expressão.

Fux ordenou às plataformas X, Meta, ByteDance e Google que voltem a censurar os conteúdos considerados fake news e ofensivos, restabelecendo a ordem de Mendonça. Mas que conteúdos são esses? Quem vai dizer o que deve ser censurado? Um censor da ditadura ficaria envergonhado.

Post de Antonio Tabet censurado a pedido de Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução
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