
O presidente da China, Xi Jinping, chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira (23) para uma visita de Estado de três dias e foi recebido pessoalmente por Donald Trump na Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington. A Casa Branca havia anunciado que o presidente estadunidense iria à pista para recebê-lo, antes da cerimônia oficial desta quinta-feira. O gesto ocorre quatro meses depois da visita de Trump a Pequim, encerrada sem um acordo econômico estrutural.
A agenda chinesa vai além da cortesia diplomática. A chancelaria de Pequim afirma que Xi pretende fortalecer uma relação de “estabilidade estratégica”, ampliar o diálogo e administrar as divergências. Nas negociações concretas, a China busca preservar a trégua tarifária, impedir uma ampliação das restrições ao acesso a tecnologias avançadas e manter espaço para suas empresas no mercado estadunidense. Trump, por sua vez, quer reduzir as limitações chinesas às exportações de minerais críticos e obter grandes compras de aviões e produtos agrícolas dos Estados Unidos.
As terras raras ajudam a explicar por que Washington precisa negociar. Apesar de bilhões de dólares investidos para criar cadeias domésticas de fornecimento, a indústria estadunidense ainda está longe de substituir a China. Segundo a Reuters, os Estados Unidos produziram em 2025 apenas cerca de 300 toneladas dos 48 mil toneladas de ímãs de terras raras que consumiram. Esses componentes são fundamentais na indústria bélica e tecnológica do país.
🚨 JUST NOW: President Trump and First Lady Melania PERSONALLY welcomed Chinese President Xi Jinping and the first lady of China on the tarmac at Joint Base Andrews
And 47 personally greeted troops as they walked from the plane.
The first time in SIXTY YEARS a President has… pic.twitter.com/ZeLA7UeMBr
— Nick Sortor (@nicksortor) September 23, 2026
Recentemente, a China restringiu exportações de alguns minerais, mantendo forte influência sobre etapas de processamento e fabricação de ímãs. Ao mesmo tempo, precisa do enorme mercado estadunidense e busca impedir que controles sobre semicondutores, inteligência artificial e outras tecnologias avancem a ponto de frear sua modernização industrial. O interesse chinês é reduzir o custo econômico da disputa sem abrir mão de seus setores estratégicos.
A interdependência continua grande apesar dos anos de discurso sobre desacoplamento. Dados do Census Bureau mostram que, de janeiro a julho deste ano, os Estados Unidos importaram US$ 156,4 bilhões em produtos chineses e exportaram US$ 65,2 bilhões para a China. O déficit estadunidense nesse comércio chegou a cerca de US$ 91,2 bilhões no período. A relação se tornou mais conflituosa, mas não deixou de ser estrutural para as duas economias.
A tecnologia ocupará lugar semelhante na visita. Trump prepara um jantar de Estado com Xi e alguns dos principais executivos das big techs estadunidenses, entre eles nomes ligados a Nvidia, Apple, OpenAI, Amazon, Alphabet e Tesla. A composição deixa claro que a competição entre os dois países não se limita à diplomacia: empresas que lideram a corrida por inteligência artificial, chips, plataformas e infraestrutura digital também têm interesses diretos na estabilidade da relação de Washington com Pequim.