O presidente Lula esteve nesta quinta-feira (23) na cerimônia de abertura da Feira Brasil na Mesa, realizada na Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF). O evento vai até sábado (25) e reúne tecnologias e experiências produzidas pelos 53 anos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), comemorados na ocasião.
“A Embrapa é um centro de excelência, motivo de orgulho do Brasil. O mundo inteiro respeita a Embrapa”, ressaltou o presidente.
Ao falar da importância do conhecimento gerado pela empresa pública, o presidente Lula disse que ela pode ajudar o mundo com a sua experiência, principalmente o continente africano.
Segundo o presidente, com a contribuição das universidades brasileiras é possível auxiliar regiões carentes a se tornarem grandes produtoras de alimentos e de energia renovável, como o biodiesel brasileiro. Para Lula, esse ponto é fundamental para alcançar a paz, pois se contrapõe à ideia dos países europeus de aumentar os gastos militares por conta da guerra iniciada por Donald Trump no Oriente Médio.
“Enquanto o Trump quer fazer guerra, nós queremos ensinar o povo africano a fazer paz, produzindo alimentos”, afirmou o líder brasileiro.
Ele também destacou que as tecnologias da Embrapa são extremamente presentes no rol de produtos agrícolas nacionais que entrarão no acordo Mercosul-União Europeia, que começa a valer provisoriamente em 1º de maio, mas que encontra resistência do Parlamento Europeu, que tenta barrar a proposta no Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).
“A gente não quer destruir os produtos deles. A gente quer fazer uma política de complementariedade, porque eles produzem coisas diferentes de nós. Nós queremos comprar deles, eles compram de nós. Portanto, estou muito otimista [com o acordo]”, resumiu.
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Sobre a recente presença na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, Lula ainda destacou os testes que comprovaram que o biodiesel brasileiro emite menos poluentes do que os combustíveis utilizados na Europa, evidenciando a força da pesquisa nacional.
“Levamos o nosso biodiesel, pegamos um caminhão da Mercedes e andamos cem quilômetros com esse caminhão, medindo o combustível nosso e o combustível deles. Do ‘poço’ ao motor [ciclo de vida produto], o nosso combustível emite noventa por cento menos de CO₂. E na média geral, o nosso combustível emite sessenta e sete por cento a menos de CO₂ do que o combustível deles [europeus]. Significa que, ao invés de eles quererem vender um caminhão mais caro para a gente, que comprem o nosso biodiesel e possam despoluir a Europa, e possam melhorar o ar deles com o nosso combustível”, indicou.


Embrapa — cada R$ 1 investido retorna R$ 27 para a sociedade
A Feira Brasil na Mesa é uma oportunidade para o público conhecer variedades de frutas nativas, participar de degustações, seminários técnicos, vitrines vivas, trilhas do Cerrado, cozinha show, apresentações culturais e feira livre de alimentos, de acordo com a organização.
Conforme destacou a presidenta da Embrapa, Silvia Massruhá, a cada R$ 1 investido na Embrapa, R$ 27 retornam para a sociedade. Durante a cerimônia, ela agradeceu a Lula por seu governo retomar os investimentos na empresa, abandonada nos governos Temer e Bolsonaro, bem como pela retomada das contratações para a recomposição de quadros, alcançando cerca de 1.200 novos funcionários.
“O investimento na Embrapa, quando eu entrei [na presidência] em 2023, era vinte por cento do que a Embrapa já tinha tido há dez anos. Mas a gente conseguiu recuperar cento e cinquenta por cento”, celebrou.
Massruhá ainda explicou que além dos laboratórios da Embrapa para cooperação científica nos Estados Unidos e na França, a empresa, sob indicação de Lula, abriu um escritório na Etiópia e pretende, com o apoio do CNPq, expandir essa parceria no continente africano e alcançar também a América Central e a Ásia.
