
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou contratos que previam até R$ 3 milhões em honorários e despachos do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) com ministros da Corte ao autorizar a Operação Transparência 3, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. A Polícia Federal investiga suspeita de tráfico de influência junto a tribunais superiores.
A decisão descreve uma atuação atribuída ao parlamentar, à advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, e à advogada Valéria Rodrigues Linhares. Para a PF, Fialek captaria e formalizaria causas, enquanto Cezinha manteria contatos pessoais com magistrados em favor dos clientes.
Os investigadores afirmam que Valéria redigia, revisava e assinava contratos de honorários e cessão de crédito, além de acompanhar o andamento dos casos. A PF a identificou como esposa de Cezinha no relatório, mas a assessoria da advogada negou essa informação e declarou que “Valéria nunca foi esposa do deputado”.
Segundo o relatório incluído na decisão, as conversas extraídas indicam um padrão: Fialek enviava peças, memoriais ou atualizações processuais ao deputado; ele dizia que havia falado ou despachado; e, depois, a advogada cobrava notícias sobre o resultado. A investigação aponta que os contratos condicionavam pagamentos ao desfecho dos julgamentos.

PF detalha contatos atribuídos ao deputado com ministros
A Polícia Federal encontrou mensagens que indicariam o encaminhamento de memoriais destinados aos ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Edson Fachin. Na avaliação dos investigadores, caberia a Cezinha buscar encontros nos gabinetes para defender interesses de partes representadas pelas advogadas.
Em um trecho destacado por Dino, a PF menciona expressões como “vou pedir a ele” e “eu preciso pedir expressamente”, associadas a Kassio Nunes Marques. Os policiais sustentam que as mensagens apontam, em análise preliminar, para um pedido pessoal e direto do deputado ao ministro, e não apenas para a entrega de documentos.
A decisão também registra um contrato relacionado à Reclamação Constitucional nº 81.608, em tramitação no STF. Em julho de 2025, Fialek enviou a Valéria um documento que previa a cessão de R$ 1 milhão em honorários à sociedade de advocacia da advogada caso houvesse êxito no processo.
Na mesma data, um aditivo estipulou R$ 2 milhões em honorários de sucesso caso o contratante obtivesse liberdade, mesmo sob medidas cautelares. O documento previa pagamento em até dez dias após o resultado. Em agosto, a PF apreendeu R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão de Valéria; seus advogados disseram que pedirão vista do processo antes de se manifestar.