
O desmatamento na Amazônia Legal caiu 42% no último ciclo anual e atingiu 3.335 km², a menor taxa registrada em quase quatro décadas de monitoramento. O resultado também ficou abaixo do recorde anterior da série, de 4.571 km² em 2012.
No cerrado, a perda de vegetação nativa somou 5.516 km² entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026, queda de 24% ante os 12 meses anteriores. É a terceira redução consecutiva no bioma e o menor índice desde o início da série histórica, em 2013.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou os números nesta sexta (16) por meio do Prodes, sistema oficial que calcula anualmente a derrubada de vegetação por imagens de satélite. O período de agosto a julho permite acompanhar uma temporada completa de desmate, incluindo os meses secos, quando há menos nuvens e maior facilidade para a derrubada da floresta.
Na Amazônia, a taxa recuou 71% entre 2022 e 2026. No cerrado, a redução acumulada chegou a 48% no mesmo intervalo. Os dados refletem a retomada de planos de controle do desmate, a recomposição de servidores e recursos de fiscalização e medidas como a restrição de crédito rural a desmatadores.

Fiscalização aplicou R$ 11,8 bilhões em multas ambientais
O Ministério do Meio Ambiente contabilizou 76 mil ações de fiscalização nos últimos quatro anos, mais de 15 mil autos de infração e R$ 11,8 bilhões em multas relacionadas à flora aplicadas pelo Ibama. O órgão também embargou mais de 18 mil km² por crimes ambientais no período.
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) afirmou que o resultado representa uma conquista coletiva e relacionou a proteção florestal ao enfrentamento da crise climática. “Essa conquista histórica é um patrimônio do povo brasileiro”, disse. Ela citou enchentes, deslizamentos, ondas de calor e secas entre os eventos agravados pelas emissões associadas ao desmatamento.
O Pará concentrou a maior área desmatada da Amazônia no ciclo, com 1.130 km², equivalente a cerca de um terço do total. Mato Grosso registrou 849 km² e o Amazonas, 525 km². No cerrado, o Maranhão liderou a derrubada, com 1.718 km², seguido por Tocantins, com 1.263 km², Piauí, com 625 km², e Bahia, com 489 km².
João Paulo Capobianco, que assumiu o Ministério do Meio Ambiente após a saída de Marina para disputar o Senado, disse que o agronegócio regularizado respondeu por 1,8% da destruição de vegetação registrada no último ciclo. “Ou seja, a imensa maioria dos produtores rurais não desmataram no último ano”, afirmou.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social aprovou R$ 147,6 milhões do Fundo Amazônia para o Inpe ampliar o monitoramento ambiental com inteligência artificial. O projeto prevê integrar o Prodes ao Deter, sistema de alertas usado para orientar fiscalizações, e expandir o Deter para caatinga, mata atlântica e pampa.
O Observatório do Clima calculou que a redução do desmatamento nos últimos quatro anos evitou ao menos 2,238 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. A rede de organizações ambientais afirmou que o controle da destruição florestal ocorreu sem retração do setor agrícola: a estimativa para o PIB do agronegócio em 2026 é de R$ 3,13 trilhões, quase 18% acima do valor de 2022.