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No 156º aniversário de Vladimir Lênin, celebrado em 22 de abril, sua obra continua sendo um dos alicerces da teoria e da prática revolucionárias. Além de ter dado sequência ao trabalho de Marx e Engels, Lênin foi fundamental para o desenvolvimento do marxismo em um contexto imperialista, criando o marxismo-leninismo, uma síntese que une rigor teórico e ação transformadora.
A singularidade de sua contribuição reside na percepção de que a luta pelo socialismo não se limita à ação espontânea das massas, que é um aspecto inegável da revolução, mas requer também uma organização consciente e uma direção política. Em Que Fazer? e Um passo à frente, dois atrás, Lênin estabeleceu as bases do partido revolucionário de um novo tipo, enfrentando o oportunismo e a dispersão, e ressaltando a necessidade de uma vanguarda disciplinada, com clareza ideológica e capacidade de intervir na realidade concreta.
Esse legado se torna especialmente relevante diante das tendências liquidacionistas que, sob diversas formas, buscam diluir o conteúdo revolucionário da luta política, substituindo a perspectiva socialista por propostas vagas e conciliadoras. Lênin lidou com fenômenos semelhantes em sua época, ao se opor aos mencheviques e outras correntes que subordinavam o movimento operário às limitações da ordem burguesa. Sua crítica ao oportunismo, longe de ser um aspecto isolado, é um elemento essencial de sua teoria política.
Ao estudar a revolução de 1905 e os eventos que levaram a 1917, Lênin mostrou que o proletariado pode assumir a liderança na transformação social, unindo-se aos camponeses e outros grupos oprimidos. Em As duas táticas da social-democracia na revolução democrática, ele desenvolveu uma estratégia que ia além dos limites da revolução burguesa, abrindo espaço para sua evolução em uma revolução socialista.
Sua teoria do imperialismo aprofundou a análise das contradições do capitalismo em sua fase monopolista, destacando o caráter predatório das potências e a natureza das guerras como disputas por mercados e territórios.
Ao criticar o social-chauvinismo em A bancarrota da Segunda Internacional, reafirmou o internacionalismo proletário e a necessidade de transformar as crises políticas e econômicas em mobilizações revolucionárias.
A Revolução de Outubro de 1917 foi a confirmação prática dessas ideias. Sob a liderança de Lênin, o Partido Bolchevique provou que um partido de vanguarda, enraizado nas massas e orientado por uma teoria revolucionária, pode liderar a tomada do poder e começar a edificação de uma nova sociedade. A defesa do poder soviético, a luta contra a intervenção estrangeira e a formulação da Nova Política Econômica demonstram sua habilidade de conectar princípios sólidos com soluções práticas para situações complexas.
No âmbito teórico, O Estado e a Revolução reafirma a natureza de classe do Estado e a necessidade de sua superação revolucionária, um tema central na compreensão da luta política. Lênin mostrou que não é viável transformar a sociedade sem enfrentar e substituir as estruturas de poder burguês por um novo tipo de Estado, liderado pelo proletariado.
A relevância de seu pensamento se manifesta na insistência de que “sem teoria revolucionária não há movimento revolucionário”, uma diretriz que continua essencial diante das pressões para se adaptar ao sistema e deixar de lado os princípios. Lênin via a teoria não como um dogma, mas como um guia para a ação, capaz de se desenvolver conforme as condições históricas, sem perder seu núcleo científico e revolucionário.
Resgatar Lênin nos dias atuais significa reafirmar a importância da organização política, da luta ideológica e da estratégia revolucionária em um cenário marcado pela fragmentação e pela conciliação. Sua obra continua a ser uma referência imprescindível para a construção de um partido que possa unificar as massas trabalhadoras, enfrentar o imperialismo e avançar na luta pela emancipação social. Para uma reflexão mais profunda sobre o legado de Lênin, confira o artigo Ressignificando Lênin: Uma Necessidade Constante.
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