Sabotagem de Flávio Bolsonaro no Senado joga votação da 6×1 para depois da eleição

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Reprodução

A votação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1 foi adiada no Senado nesta quarta-feira (2), após uma articulação da oposição para esvaziar o plenário, segundo o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP). Ele apontou diretamente o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha do bolsonarista.

“Hoje houve um movimento bem-sucedido da oposição que impediu que a votação da PEC ocorresse neste momento”, afirmou Randolfe. Segundo ele, a articulação foi feita por Flávio e Marinho. A versão também foi registrada oficialmente pela Agência Senado.

O governo decidiu não submeter a proposta ao plenário sem a segurança de alcançar os 49 votos necessários para aprovar uma emenda constitucional. Embora 75 senadores tenham registrado presença ao longo do dia, Randolfe afirmou que a base preferiu evitar o risco de derrota. “Nós queremos colocar esse tema para votar com a garantia que ele vai ser aprovado”, disse.

Os senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN). Reprodução

A movimentação de Flávio ocorre depois de semanas de resistência de sua campanha à mudança na jornada de trabalho. A coordenadora econômica do candidato, Daniella Marques, classificou o fim da 6×1 como um debate “populista e inócuo” e defendeu que o trabalhador possa trabalhar “o quanto ele quiser”. Campanha de Flávio Bolsonaro ataca fim da 6×1 e defende “trabalhar o quanto quiser” Senadores do PL também apresentaram emendas para alterar a proposta, movimento que levou Erika Hilton (PSOL-SP) a acusar o partido de tentar atrasar sua tramitação. Erika Hilton chama Flávio Bolsonaro de “arregão” e acusa PL de atrasar fim da 6×1

Horas antes do adiamento, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado havia aprovado a PEC 221/2019. O texto reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal e estabelece dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. A matéria agora depende da votação em dois turnos no plenário.

Randolfe afirmou que o governo tentará convencer o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a convocar uma sessão específica para a PEC ainda em setembro. Se isso não ocorrer, uma nova tentativa será feita na segunda semana de outubro, depois do primeiro turno das eleições. O líder governista garantiu que a proposta será colocada em votação até o fim de outubro.

O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras trabalhistas da campanha de Lula, que havia afirmado no último sábado (29) que esperava ver a proposta aprovada ainda nesta semana. Lula coloca data na aprovação do fim da escala 6×1: “Esta semana” O adiamento transforma a votação em mais um ponto explícito de confronto entre Lula e Flávio na reta final da campanha presidencial.

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