
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar a produção e a circulação de um relatório falso compartilhado por Nikolas Ferreira (PL-MG). O material simulava uma página de um documento da Operação Compliance Zero e atribuía à corporação uma conclusão favorável ao bolsonarista no caso de suas conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Um laudo técnico anexado à notícia de fato aponta que a imagem se apresentava como a página 156 de um relatório de 218 páginas da PF. No documento oficial, porém, essa página trata de pagamentos relacionados a um escritório de advocacia e não contém qualquer análise sobre Nikolas.
A montagem também exibia uma suposta seção 7 dedicada às conversas do deputado. No relatório verdadeiro, essa seção começa apenas na página 216. A perícia ainda identificou incompatibilidades cronológicas, erros textuais, falhas de formatação e divergências na identificação do documento.
O documento da PF cheio de emoji igualzinho ao ChatGPT KKKKK A CARA DELES NEM ARDEEEEE mona tem que prender esse Nikolas pic.twitter.com/hrGBfY1dUi
— dj obinho (@itsober) September 4, 2026
A própria Polícia Federal negou ter produzido o material. A imagem ainda apresentava uma marca de ferramenta de inteligência artificial. O conteúdo falso começou a circular após a divulgação de mensagens e áudios trocados entre Nikolas e Vorcaro.
Correia ressalva na representação que o compartilhamento não comprova que Nikolas tenha criado ou encomendado a falsificação, nem que soubesse previamente que o documento era falso. O parlamentar petista sustenta, no entanto, que essas possibilidades precisam ser esclarecidas pela investigação.
O pedido solicita que a PF identifique os responsáveis pela criação e pela disseminação do arquivo, preserve os registros mantidos pelo Instagram e pelo X, realize uma perícia no material e ouça as pessoas envolvidas. Correia também quer que seja apurada uma eventual participação de servidores ou ex-servidores da corporação.
A assessoria de Nikolas afirmou que ele desconhecia a falsidade, apenas republicou o conteúdo e o apagou após descobrir que o documento não era autêntico. Correia pediu ainda o envio de cópias do caso à Procuradoria-Geral da República e à Procuradoria-Geral Eleitoral para a análise de possíveis responsabilidades criminal e eleitoral.