
Dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram informados, há alguns dias, de que a empresária Roberta Luchsinger negociava com órgãos da mídia comercial uma entrevista com acusações contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo relatos recebidos pelo partido, ela teria procurado a revista Veja e outros veículos de comunicação antes de chegar à CNN Brasil, cujo dono é o empresário Rubens Menin (que também é proprietário da Rádio Itatiaia-MG), sócio do banqueiro Daniel Vorcaro desde 2023 na SAF (Sociedade Anônima de Futebol) do Atlético Mineiro.
Roberta nega qualquer negociação nesse sentido.
Foi com a CNN que o acordo foi finalmente selado. A entrevista está prevista para ir ao ar às 20h deste sábado (17), no programa CNN Prime Time, com apresentação dos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco.
Luchsinger está no centro de investigações da Polícia Federal relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e possíveis irregularidades em negócios com o poder público.
De acordo com pessoas que tiveram acesso aos questionamentos apresentados por Roberta, o material seria inconsistente. Apesar dessas avaliações, a CNN decidiu realizar a entrevista, gravada em São Paulo.
A campanha de Flávio
Interlocutores da campanha também relataram a existência de uma suposta negociação financeira entre Roberta Luchsinger e a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), o que ela nega. Diante do cenário, a equipe de Lula decidiu aguardar a divulgação do conteúdo antes de tomar qualquer medida.
A entrevista à CNN representa uma nova etapa na exposição pública de Roberta Luchsinger, que passou a ser mencionada com frequência no noticiário político em razão das investigações. Na conversa, segundo a emissora, ela abordaria sua relação com Fábio Luiz, filho do presidente Lula, as apurações às quais responde e encontros que afirma ter presenciado entre o filho do presidente e integrantes do governo.
O conteúdo também poderia trazer novos elementos sobre as relações da empresária com pessoas ligadas à administração federal. A relevância das declarações, entretanto, depende da apresentação de informações verificáveis e de sua confrontação com os dados já conhecidos pelas autoridades.