
A campanha do presidente Lula passou a tratar a crise no Supremo Tribunal Federal como um novo eixo da disputa presidencial e busca transformar o episódio em contraste direto com Flávio Bolsonaro. Segundo apuração da CNN Brasil, dirigentes petistas avaliam que o conflito no STF retirou temporariamente das campanhas o controle da agenda eleitoral e agora tentam converter o que inicialmente era visto como um problema em uma oportunidade política.
A estratégia é reforçar a imagem de Lula como presidente experiente e capaz de agir institucionalmente durante uma crise entre Poderes. O pronunciamento feito na noite de quinta-feira (3), no qual ele defendeu investigação “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”, foi parte desse reposicionamento. A decisão de Lula de entrar diretamente no debate saiu de uma reunião da coordenação da campanha realizada horas antes.
Eden Valadares, secretário de Comunicação do PT, resumiu a linha ao afirmar que “Lula é experiência, enquanto Flávio, uma aventura”. Segundo ele, o presidente reconhece a gravidade da crise institucional e propõe mudanças no sistema político e no Judiciário, enquanto o adversário tenta transformar o episódio em instrumento eleitoral.
🇧🇷 Lula pede ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da Republica, Paulo Gonet, que coloquem ordem na crise no Supremo “sem tentar esconder absolutamente nada”. pic.twitter.com/jFOpqFvyIs
— Eixo Político (@eixopolitico) September 4, 2026
Lula ampliou esse discurso nesta sexta-feira (4), ao lado do presidente do STF, Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Ele afirmou que a responsabilidade de devolver tranquilidade à sociedade estava “nas costas” dos dois e cobrou que não se esconda “absolutamente nada”. O presidente também disse que ninguém pode usar um cargo público em benefício pessoal, sem citar nominalmente Alexandre de Moraes ou André Mendonça.
Há ainda um segundo movimento na estratégia petista, que é aumentar a pressão para que Mendonça e o STF retirem o sigilo das investigações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, financiado com recursos ligados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O tema atinge diretamente Flávio Bolsonaro, que participou das negociações para levantar recursos para o projeto. Parlamentares da esquerda já cobraram do Supremo o levantamento do sigilo e questionam por que informações envolvendo Moraes foram tornadas públicas enquanto procedimentos ligados ao candidato do PL continuam protegidos.
A disputa pelo enquadramento da crise deve se intensificar com a campanha eleitoral. Enquanto o PT tenta apresentar Lula como agente de estabilidade e colocar o caso Dark Horse no centro da cobrança por transparência, o bolsonarismo prepara uma mobilização para explorar os ataques ao STF. Flávio Bolsonaro convocou apoiadores para atos de 7 de Setembro, repetindo uma estratégia usada pelo pai em manifestações marcadas por confrontos políticos com o Supremo. A avaliação no entorno de Lula é que a crise deixou de ser apenas um problema interno da Corte e passou a disputar espaço diretamente na eleição presidencial.