
O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, chamou o banqueiro Daniel Vorcaro de “irmão” e mencionou “lealdade” a ele em mensagens trocadas entre os dois. A informação é da coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.
“Lealdade é o maior prestígio que posso lhe oferecer”, disse Sidney em uma mensagem de 2023. As conversas vieram a público enquanto relações de Vorcaro com representantes do sistema financeiro, empresários e autoridades ganham atenção. Sidney comanda a Febraban desde março de 2020 e já atuou como procurador-geral e dirigente do Banco Central antes de assumir a entidade.
A relação profissional entre Sidney e os negócios de Vorcaro antecede sua chegada à presidência da federação. Entre 2018 e 2019, ele participou de assessoramento jurídico e regulatório na transferência de controle do Banco Máxima, instituição que mais tarde passou a se chamar Banco Master.
O Banco Central analisou a transferência de controle antes da conclusão da operação. Sidney também trabalhou na advocacia privada, com atuação em direito bancário e regulação financeira.

Transferência de R$ 700 mil e financiamento imobiliário
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência de R$ 700 mil de Sidney para a Super Empreendimentos e Participações, empresa ligada a Vorcaro e ao cunhado dele, Fabiano Zettel. A operação ocorreu em 8 de junho de 2022, um dia após a abertura de uma conta da companhia no Sicoob Credifor, em Formiga, Minas Gerais.
Naquele mês, a conta da Super recebeu R$ 9,9 milhões, dos quais R$ 9,2 milhões vieram de Zettel em cinco operações. O relatório registrou saídas de cerca de R$ 9,8 milhões, direcionadas principalmente a empresas do setor imobiliário.
Sidney afirmou que os R$ 700 mil correspondiam à compra de direitos creditórios em um negócio privado, regular e declarado à Receita Federal. Ele negou ser sócio ou investidor da Super e disse que não recebeu recursos da empresa.
Documentos apresentados pelo liquidante do Banco Master também apontaram que Sidney contratou, em novembro de 2020, um financiamento de R$ 5,5 milhões com o banco para comprar um apartamento duplex em São Paulo. Ele declarou que quitou o contrato em dezembro de 2021 e classificou a divulgação da operação como retaliação às críticas feitas pela Febraban ao Master.