Durante sua participação no programa TV GGN 20 Horas, transmitido pelo YouTube, o jornalista Luís Nassif apresentou um levantamento detalhado sobre o que classificou como um “estado de exceção” instalado no Brasil durante o período do impeachment e da Operação Lava Jato. Segundo o analista, com exceção dos meses que antecederam o golpe de 1964, o país nunca viveu um período semelhante. Ele destacou que, embora a ditadura militar tenha sido marcada por assassinatos nos porões, o clima público de abusos promovidos por jornalistas, promotores, procuradores, juízes e delegados na história recente foi ainda pior.
Para ilustrar sua tese, Nassif relembrou uma série de episódios emblemáticos de perseguição e arbitrariedade. Entre os casos citados, destacou o do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que faleceu de desgosto após ser denunciado por contratação sem licitação, e a postura do TRF4, que teria se rebelado contra o próprio Supremo Tribunal Federal. O jornalista também apontou a tentativa de intimidação ao professor Luís Felipe Miguel, da UnB, que quase foi denunciado por improbidade administrativa após criar um curso sobre o golpe de 2016, mobilizando órgãos como TCU, AGU e CGU sob a gestão do então ministro da Educação, Mendonça Filho.
O jornalista relatou ações policiais que considerou pirotécnicas e infundadas, como a condução coercitiva de 40 funcionários do BNDES — incluindo mulheres grávidas — sob filmagem da TV Globo, a invasão da UFMG pela Polícia Federal de Belo Horizonte, e a invasão da Escola Florestan Fernandes. Ele também mencionou a condução de Sérgio Cabral Filho com algemas nas mãos e nos pés, o fechamento do Instituto Lula, e a busca e apreensão na casa do filho do ex-presidente Lula motivada apenas por uma denúncia anônima.
No âmbito social e de direitos humanos, Nassif relembrou a infiltração de um agente em protestos estudantis contra o impeachment, que resultou na denúncia criminal de jovens que portavam apenas amônia para se proteger de gás lacrimogêneo. Ele citou ainda a existência de um grampo telefônico que acabou alcançando o Palácio do Planalto sem que nada fosse apurado, a prisão de uma advogada negra por uma juíza leiga em Duque de Caxias, a ameaça de prisão ao cientista Carlini por debater o uso medicinal da cannabis, e a censura sofrida pela juíza Kenarik por ordenar a libertação de presos com penas já vencidas.
Por fim, o jornalista criticou manobras do sistema de Justiça, como o caso Favretto — em que a ordem de soltura de Lula foi atropelada por outros magistrados —, a Operação Caduceu, descrita como um aparato desproporcional para um caso simples, e o episódio de uma juíza que algemava presos para evitar o roubo de canetas. Nassif concluiu alertando para o grave risco de o país repetir esse cenário de anormalidade democrática.