PF evitou pedir diligências a Mendonça por medo de investigação vazar para Flávio Bolsonaro

André Mendonça e Flávio Bolsonaro

Uma revelação feita nesta quarta-feira (23) pelo jornalista Valdo Cruz, durante participação na GloboNews, colocou mais um elemento na relação conturbada entre a Polícia Federal e o ministro André Mendonça no caso que envolve Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro.

Segundo Valdo, a Polícia Federal evitou pedir diligências ao ministro André Mendonça em um inquérito envolvendo Flávio por receio de que informações sobre a investigação chegassem ao candidato da extrema-direita.

“Eu fui perguntar para os investigadores: ‘Por que que vocês não fizeram nenhum pedido de diligência?’”, relatou Valdo.

De acordo com o jornalista, a resposta recebida foi que a PF estava investigando, mas não havia solicitado medidas que dependessem de autorização judicial.

“Porque ‘se a gente pedisse, a gente passaria para o André Mendonça, e o André Mendonça poderia falar para o Flávio Bolsonaro o que que a gente está fazendo’”, afirmou Valdo, reproduzindo a explicação que diz ter recebido.

A fala provocou uma observação de Joel Pinheiro sobre a divisão de atribuições entre o Supremo e a Polícia Federal. Joel ressaltou que não cabe ao ministro determinar à PF quais diligências devem ser realizadas.

“Cabe à polícia pedir as diligências e ao ministro autorizar”, acrescentou Valdo. “Eu fui checar: ‘Por que não pediram?’ Pelo receio de que, pedindo, aquela linha de investigação da PF vazasse para as pessoas”.

A resposta que Valdo recebeu dos investigadores é particularmente relevante porque estabelece uma distinção entre não investigar e investigar sem pedir ao relator medidas que dependam de autorização judicial.

O inquérito sob a relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal que envolve o senador Flávio Bolsonaro apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no caso “Dark Horse. A apuração da Polícia Federal gira em torno do financiamento e da captação de recursos para a produção do filme e documentário picareta. Há indícios de repasses ilícitos por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, por meio de fundos e estruturas empresariais no exterior.

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