
O candidato a deputado estadual Josemar Varela (PL-RN), apoiado por Nikolas Ferreira, teve o celular apreendido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Macapá. A medida ocorreu em 15 de setembro, poucos dias depois de Natália Bonavides (PT-RN), deputada federal e candidata à reeleição, obter uma medida protetiva contra ele. As informações são da coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
A medida protetiva foi concedida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte depois que Varela abordou Bonavides na rua enquanto gravava um vídeo. Ele chamou a parlamentar de “vergonha” e afirmou que ela “não teria mais paz”. Varela reconhece ter pronunciado as frases, mas nega que tenham caráter ofensivo ou ameaçador. A decisão enquadrou o caso como violência política de gênero e apontou a aplicação da Lei Maria da Penha.
Varela teve de retirar o vídeo do ar e ficou proibido de se aproximar de Natália Bonavides ou dos pais dela, manter contato com a deputada e produzir conteúdos capazes de expô-la ou constrangê-la. Segundo a reportagem, o descumprimento das restrições pode levar à prisão preventiva. A parlamentar afirmou à Justiça que a publicação também estimulou ataques misóginos de seguidores do candidato.

A decisão que autorizou a busca e apreensão do telefone e a quebra do sigilo telefônico foi além do episódio envolvendo Bonavides. A Justiça apontou uma conexão instrumental e probatória entre a atuação de Varela e uma rede que teria enviado ameaças coordenadas a outras candidatas do PT, entre elas Brisa Bracchi, do Rio Grande do Norte, e Ana Elisa, de Minas Gerais. A mesma decisão cita a possibilidade de propaganda eleitoral irregular em canais digitais não informados previamente à Justiça Eleitoral.
Natália Bonavides já havia denunciado ameaças de estupro, morte e esquartejamento recebidas durante a campanha. A mensagem incluía dados pessoais de parentes e foi levada à Polícia Civil, à Polícia Legislativa e ao Ministério Público Eleitoral. Na ocasião, a deputada também relatou ter sido perseguida e intimidada por um candidato do PL; a nova reportagem identifica Varela e revela as medidas judiciais adotadas posteriormente.
Varela afirma ser vítima de perseguição política e sustenta que as ameaças contra Bonavides começaram em 2024, quando ele ainda não atuava na política do Rio Grande do Norte. Também nega haver indícios de que faça parte de uma rede coordenada de ataques. A equipe da deputada informou que não poderia comentar os casos porque eles tramitam sob segredo de Justiça. Nas redes sociais, Varela se apresenta como “o candidato de Nikolas Ferreira” no estado, e o deputado mineiro indicou voto nele em vídeo divulgado nesta quarta-feira (23).