
As primeiras pesquisas para o Senado em 2026 apontam avanço do PL e redução do espaço ocupado por partidos do Centrão, mas indicam que tanto o bolsonarismo quanto a esquerda continuariam longe de uma maioria qualificada na Casa. Neste ano, 54 das 81 cadeiras do Senado, duas em cada estado, estarão em disputa. Com informações de O Globo.
Um levantamento que reuniu pesquisas Quaest em quase todos os estados, com dados do Datafolha no Ceará e no Piauí, mostra 13 candidatos do PL entre os dois primeiros colocados. Se o quadro se confirmar, a bancada da sigla ligada ao presidenciável Flávio Bolsonaro pode passar de 10 para 23 senadores, considerando os parlamentares que mantêm mandato.
Outros sete candidatos do PL ocupam numericamente a terceira posição, mas aparecem tecnicamente empatados em segundo dentro da margem de erro. O partido lançou 33 postulantes ao Senado em 25 estados e não terá candidatos próprios no Amapá e em Alagoas, onde apoia o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP).
O PT aparece como a segunda legenda com maior número de nomes bem colocados: nove candidatos petistas estão nas duas primeiras posições das pesquisas. Em 22 estados, ao menos um candidato do PT ou do PL ocupa uma das vagas de liderança nos levantamentos.

Projeção das pesquisas indica possível avanço do PL no Senado, que pode passar de 10 para 13 cadeiras entre as vagas em disputa, enquanto PT aparece com 9 senadores eleitos na renovação de 2026.
Maioria de 54 votos continua distante
O crescimento projetado para os dois campos não garantiria controle do Senado. A aprovação de um impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal exige o apoio de dois terços dos 81 senadores, ou 54 votos, mesmo quórum necessário para aprovar propostas de emenda à Constituição.
Para Marco Antônio Carvalho Teixeira, professor de ciência política da FGV EAESP, o cenário exigiria negociação entre as forças políticas. “Se esse cenário se confirmar, vai exigir um esforço de negociação grande de qualquer um dos lados”, afirmou. Ele também avaliou que a composição pode levar ao travamento de pautas.
A defesa do impeachment de ministros do STF deve pesar para apenas 11% do eleitorado, conforme pesquisa Quaest de agosto. O envio de emendas aos estados e o volume de obras aparecem como fatores mais relevantes para os eleitores, em uma disputa marcada também por tensões entre Congresso e Supremo sobre as verbas parlamentares.
Das 54 cadeiras em disputa, 34 pertencem hoje a siglas do Centrão. A projeção das pesquisas indica que o bloco pode perder dez vagas para partidos como PDT, PSB e Novo, embora mantenha força em estados como Alagoas, onde Arthur Lira lidera com 20%, seguido por Renan Calheiros (MDB), com 18%, e Marina JHC (PSDB), com 15%.
No Rio de Janeiro, Benedita da Silva (PT) lidera numericamente com 10%, enquanto Carlos Jordy (PL) tem 7%, Marcelo Crivella (Republicanos) e Carlos Portinho (PL) marcam 5%. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) aparece em segundo, tecnicamente empatado com Carol de Toni (PL), e o senador Esperidião Amin (PP) lidera. Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), com 12%, e Simone Tebet (PSB), com 11%, estão empatados tecnicamente.