Parlamentares americanos confrontam Trump sobre intervenção na eleição do Brasil

Donald Trump e Lula. Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

O senador Bernie Sanders e 30 deputados democratas dos Estados Unidos cobraram do governo Donald Trump explicações sobre medidas adotadas em relação ao Brasil, que podem interferir na eleição presidencial de outubro. A carta foi enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, com prazo de resposta até 30 de setembro.

Os congressistas afirmam que uma série de ações da administração Trump aumentou a preocupação com pressão sobre autoridades brasileiras e influência no ambiente político às vésperas da votação. “As ações mais recentes da administração apontam para uma aparente tentativa de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro”, diz o documento.

A iniciativa partiu das deputadas Delia Ramirez, Pramila Jayapal e Chuy Garcia. Entre os signatários também estão Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, Jonathan Jackson, Greg Casar e Maxwell Frost, integrantes de comissões da Câmara ligadas a Relações Exteriores e à fiscalização do Executivo.

O grupo pede que Washington assuma explicitamente o compromisso de respeitar o processo eleitoral brasileiro e de reconhecer o resultado certificado pelas urnas, independentemente do candidato vencedor. Os parlamentares citam sanções contra autoridades brasileiras, medidas comerciais e a relação do governo Trump com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Bernie Sanders. Foto: Quinn Glabicki/Reuters

Sanções, facções e encontro com Flávio Bolsonaro entram na cobrança

A carta menciona o encontro entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, na Casa Branca. Durante a reunião, ele pediu que os Estados Unidos classificassem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras e, dois dias depois, o Departamento de Estado incluiu as facções na lista.

Os democratas dizem que a sequência ampliou receios no Brasil sobre possíveis efeitos da designação. O documento cita preocupações de autoridades brasileiras de que a classificação possa embasar sanções, punições financeiras extraterritoriais ou outras ações dos Estados Unidos na região.

Os parlamentares também questionam uma tentativa de visita ao Brasil de integrantes do Departamento de Estado que planejavam levantar dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral brasileiro. A delegação não entrou no país e, posteriormente, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

Em agosto, o Departamento de Estado afirmou que respeitaria a escolha dos brasileiros em eleições “livres e justas”. Após a Assembleia Geral da ONU, a porta-voz da pasta Amanda Roberson declarou que “quem vai ser o próximo presidente do Brasil é decisão dos brasileiros” e que os EUA trabalharão com o país independentemente do resultado.

Sanders se reuniu com Lula nesta semana, à margem da Assembleia Geral da ONU, e perguntou ao presidente sobre a possibilidade de interferência eleitoral. Auxiliares relataram que Lula disse manter o governo vigilante, embora não acredite que haverá interferência.

A carta ainda exige detalhes sobre os critérios usados para sancionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sob a Lei Global Magnitsky, os fundamentos da classificação de PCC e CV e a revogação do visto da embaixadora. Os signatários afirmam que, se os democratas conquistarem a maioria da Câmara nas eleições legislativas de novembro, comissões poderão abrir audiências e investigações sobre a política de Trump para o Brasil.

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