Operador de Vorcaro será ouvido por Mendonça antes de delação no caso Master

Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. Foto: Reprodução

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado nas investigações como operador financeiro de Daniel Vorcaro, será ouvido pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), na próxima terça-feira (8). A audiência antecede a análise da homologação do acordo de delação premiada firmado por Freixo com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Mendonça deverá verificar se o empresário decidiu colaborar de forma voluntária e se o acordo atende aos requisitos legais. A homologação judicial precisa ocorrer para que a delação produza os efeitos previstos e permita o uso formal das informações e provas apresentadas pelo colaborador.

Freixo é dono da Entre Investimentos e Participações e atuou como CEO do grupo Entrepay. A investigação apura se empresas do grupo intermediaram repasses de recursos ligados a Vorcaro destinados à produção de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os investigadores esperam que o empresário detalhe o percurso dos valores, desde a estrutura ligada a Vorcaro até empresas do Grupo Entre e contas nos Estados Unidos. A apuração busca identificar quanto chegou ao projeto audiovisual, quanto permaneceu no exterior e qual foi o destino final dos recursos.

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

Fundo nos Estados Unidos recebeu valores para “Dark Horse”

As movimentações sob apuração indicam que os recursos passaram pelo Havengate Development Fund, nos Estados Unidos. O fundo administrava valores do projeto e fazia repasses à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme.

Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, integra a administração do Havengate. As autoridades querem saber se todos os valores enviados aos Estados Unidos financiaram a produção ou se parte do dinheiro seguiu para outros destinos; a verificação dos recursos mantidos no país depende de cooperação com autoridades estadunidenses.

A EntrePay, empresa que integrava o grupo de Freixo e possuía autorização do Banco Central para atuar como instituição de pagamento, entrou em liquidação neste ano. Documentos e registros financeiros entregues pelo empresário podem permitir o cruzamento de seu relato com as operações já identificadas no inquérito.

Nesta semana, a imprensa revelou um repasse adicional de US$ 1,6 milhão feito por Vorcaro para “Dark Horse” em setembro de 2025, após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrar parcelas atrasadas. O valor se soma a seis transferências anteriores — duas de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — que totalizaram R$ 61 milhões.

A PGR também fechou acordo de colaboração com João Carlos Mansur, ex-presidente do Conselho de Administração do grupo Reag. Mansur se comprometeu a detalhar a criação e o uso de fundos investigados por suspeita de lavagem de dinheiro e a indicar caminhos para localizar R$ 20 bilhões; o STF já realizou a audiência de homologação, mas ainda não publicou a decisão.

Vorcaro tentou negociar delação em duas ocasiões, sem avanço. Na semana passada, ele disse a um juiz auxiliar de Mendonça que se sentiu coagido a colaborar e que a Polícia Federal não demonstrou interesse em fechar acordo, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação, conforme relato levado à Justiça.

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