
A ONU recebeu neste fim de semana um alerta do Instituto Vladimir Herzog sobre possíveis ingerências dos Estados Unidos nas eleições brasileiras de 2026. A entidade pediu que a organização atue para defender a soberania do país e o reconhecimento imediato do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente do candidato vencedor. Com informações do ICL.
O instituto enviou cartas ao secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e ao alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. O envio ocorreu no dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou a Nova York para participar da abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.
No documento, a organização relata episódios que classifica como ataques do governo de Donald Trump à democracia brasileira e sustenta que medidas adotadas pelos EUA reúnem características de coerção e de guerra híbrida. A carta também trata de alertas produzidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o risco de ingerência externa.
O diretor-executivo do Instituto Vladimir Herzog, Rogério Sottili, afirmou que uma delegação de 15 organizações brasileiras esteve em Washington e Nova York entre 20 e 24 de julho. O grupo se reuniu com parlamentares democratas e republicanos, representantes da Organização dos Estados Americanos, da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, diplomatas e entidades da sociedade civil.

“Voltamos dessa última missão com uma preocupação ainda maior”, disse Sottili. Para ele, há “sinais concretos de uma dinâmica de ingerência externa sobre o processo político e eleitoral brasileiro e de uma tentativa de condicionar decisões soberanas tomadas por nossas instituições”.
A entidade teme que, caso as pressões não alcancem o resultado político desejado antes da votação, atores estrangeiros e seus aliados possam contestar a legitimidade do pleito, retardar seu reconhecimento internacional e alimentar instabilidade após as urnas. A carta defende que países reconheçam prontamente o resultado oficial anunciado pela Justiça Eleitoral.
Entre os pedidos a Guterres, o Instituto Vladimir Herzog solicita uma reafirmação pública dos princípios de soberania e não intervenção, o acompanhamento de sinais de manipulação informacional transnacional e a proteção da autonomia de missões internacionais credenciadas para observar a eleição. A organização também pede que a ONU desestimule o uso de instrumentos econômicos, diplomáticos, tecnológicos ou de segurança para condicionar processos eleitorais de países soberanos.
Na carta destinada a Volker Türk, a entidade pede um pronunciamento público sobre os riscos de ingerência externa aos direitos políticos dos brasileiros. O documento cita possíveis efeitos sobre a liberdade de expressão, a independência do Judiciário, o trabalho de jornalistas, defensores de direitos humanos e organizações da sociedade civil durante o período eleitoral.