OAB-PA critica desembargadora que comparou corte de penduricalhos a “escravidão”

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) - Reprodução/Tribunal de Justiça do Pará (TJPA)
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) – Reprodução/Tribunal de Justiça do Pará (TJPA)

A OAB-PA (Ordem dos Advogados do Brasil no Pará) se manifestou nesta quinta-feira (23) sobre declarações da desembargadora Eva do Amaral Coelho, do TJPA, que comparou a limitação de penduricalhos pelo STF a um possível “regime de escravidão” para magistrados. A entidade afirmou que a fala “merecia maior cuidado”. Com informações do g1.

A declaração ocorreu durante sessão da 3ª Turma de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará. Na ocasião, a magistrada comentou a decisão do Supremo que limitou verbas adicionais recebidas por integrantes do Judiciário, como auxílios e gratificações.

“Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, não temos direito a receber uma gratificação por direção de foro. […] Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no hall daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”, disse a desembargadora.

Em nota, a OAB-PA reconheceu a trajetória de décadas de Eva Coelho na Justiça paraense e afirmou que o respeito à história e ao papel institucional da magistrada é “inegociável”. Porém, a entidade apontou que a comparação banaliza o combate ao trabalho análogo à escravidão.

Segundo dados do Portal da Transparência, Eva Coelho recebeu R$ 1.024.117,30 em remuneração ao longo de doze meses de atuação em 2025. Em março de 2026, a remuneração bruta da desembargadora foi de R$ 117.863,72; após descontos, o valor líquido ficou em R$ 91.211,82.

Eva Coelho tem longa carreira no Judiciário do Pará e atuou em processos de grande repercussão, como o Massacre de Eldorado do Carajás, que completou 30 anos em 2026. A OAB-PA defendeu que discussões sobre carreiras públicas sejam feitas com responsabilidade, equilíbrio e atenção ao impacto social.

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