A literatura e o jornalismo brasileiros se despedem de um de seus mais queridos e influentes nomes. O escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo faleceu, aos 88 anos, na madrugada deste sábado (30), em Porto Alegre, após complicações decorrentes de um grave caso de pneumonia. Ele estava internado desde o dia 11 de agosto em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Moinhos de Vento. Veríssimo deixa um vazio imenso no cenário cultural do país, mas também um legado imortal de obras que cativaram gerações.
A notícia da partida do mestre da crônica rapidamente reverberou pelo país. O presidente Lula foi um dos primeiros a se manifestar. “Luis Fernando Veríssimo, um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo, nos deixou hoje aos 88 anos de idade. Dono de múltiplos talentos, cultivou inúmeros leitores em todo o Brasil com suas crônicas, contos, quadrinhos e romances. Criou personagens inesquecíveis, a exemplo do Analista de Bagé, As Cobras e Ed Mort”, lembrou o presidente.
Luis Fernando Veríssimo, um dos maiores nomes de nossa literatura e nosso jornalismo, nos deixou hoje aos 88 anos de idade. Dono de múltiplos talentos, cultivou inúmeros leitores em todo o Brasil com suas crônicas, contos, quadrinhos e romances. Criou personagens inesquecíveis, a…
— Lula (@LulaOficial) August 30, 2025
Lula ainda ressaltou a capacidade do escritor de usar a ironia para denunciar o autoritarismo e defender a democracia: “Sua descrição bem-humorada da sociedade ganhou espaço nas livrarias e na TV, com a Comédia da Vida Privada. E, como poucos, soube usar a ironia para denunciar a ditadura e o autoritarismo; e defender a democracia. Eu e Janja deixamos o nosso carinho e solidariedade à viúva Lúcia Veríssimo – e a todos os seus familiares.”
Filho do também genial Érico Veríssimo, Luis Fernando trilhou um caminho único, inicialmente distante da escrita profissional. “Até os 30 anos eu não tinha a menor ideia de ser escritor, muito menos jornalista. Eu fiz de tudo, e nada deu certo. Aí quando eu comecei a trabalhar em jornal – e naquela época não precisava de diploma de jornalista – foi quando eu descobri a minha vocação. Sempre li muito, mas nunca tinha escrito nada. Então, eu sou um caso meio atípico”, revelou em uma de suas reflexões. Sua vocação, uma vez descoberta, floresceu em mais de 80 títulos, incluindo pérolas como O Analista de Bagé, Comédia da Vida Privada e Clube dos Anjos, que o consolidaram como um dos escritores contemporâneos mais populares do Brasil.
Veríssimo era um talento multifacetado, com passagens marcantes como cartunista, tradutor, roteirista, publicitário, revisor e dramaturgo. Sua obra, permeada por um humor inteligente e uma crítica social assertiva, nunca abdicou de sua posição clara no campo da esquerda reformista. Além da caneta, sua paixão pela música o levou a ser um exímio saxofonista. Mesmo enfrentando desafios de saúde nos últimos anos, como Mal de Parkinson, problemas cardíacos e um AVC em 2021, o escritor manteve seu espírito sagaz e sua presença marcante na cultura nacional. Ele deixa a esposa, Lúcia Helena Massa, e os filhos Pedro, Fernanda e Mariana Veríssimo.
A notícia da partida do cronista mobilizou manifestações de pesar e reconhecimento pelo país. O líder do governo no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), lamentou: “O dia amanheceu com a triste notícia da partida de Luís Fernando Veríssimo, gigante da literatura e da crônica política. Sua voz lúcida seguirá necessária para a democracia. Nossa solidariedade à família, amigos e a todos que reconhecem sua contribuição ao Brasil.”
O dia amanheceu com a triste notícia da partida de Luís Fernando Veríssimo, gigante da literatura e da crônica política. Sua voz lúcida seguirá necessária para a democracia. Nossa solidariedade à família, amigos e a todos que reconhecem sua contribuição ao Brasil.
📷Bruno Veiga pic.twitter.com/iD67023OKQ
— Rogério Carvalho 🇧🇷 ⭐️ (@SenadorRogerio) August 30, 2025
O senador Jaques Wagner (PT-BA) também se manifestou: “Recebo com tristeza a notícia do falecimento do escritor Luís Fernando Veríssimo. Dono de um estilo único, ele era capaz de imprimir sua visão de mundo com humor, ironia e leveza, tanto em seus livros, como nas crônicas dos jornais diários em que atuou. Que seu legado sirva de inspiração para as próximas gerações. Meus sentimentos à família, amigos e admiradores.”
Recebo com tristeza a notícia do falecimento do escritor Luís Fernando Veríssimo. Dono de um estilo único, ele era capaz de imprimir sua visão de mundo com humor, ironia e leveza, tanto em seus livros, como nas crônicas dos jornais diários em que atuou. Que seu legado sirva de… pic.twitter.com/qCL3Em7bLR
— Jaques Wagner (@jaqueswagner) August 30, 2025
Gleide Andrade, secretária Nacional de Finanças do PT, resumiu o sentimento de muitos: “Recebi com tristeza a notícia da partida de Luis Fernando Veríssimo. Um dos maiores cronistas do nosso país, que com leveza e inteligência, transformou palavras em arte e nos ensinou a olhar o Brasil com mais sensibilidade. Sua escrita atravessou gerações e seguirá viva, como legado de quem fez história na literatura brasileira. Obrigada por tanto, Veríssimo.”
Recebi com tristeza a notícia da partida de Luis Fernando Veríssimo. Um dos maiores cronistas do nosso país, que com leveza e inteligência, transformou palavras em arte e nos ensinou a olhar o Brasil com mais sensibilidade.
Sua escrita atravessou gerações e seguirá viva, como… pic.twitter.com/fwDp3DY9zF
— Gleide Andrade 🚩🇧🇷 (@gleidept13) August 30, 2025
A partida de Luís Fernando Veríssimo deixa um vazio, mas sua obra continuará a inspirar, fazer rir e provocar reflexões sobre as complexidades da vida privada e pública brasileira, eternizando o legado de um artista que soube como poucos transformar o cotidiano em arte.
Da Redação, com Agência Brasil e Folha de S. Paulo