Não é patrocínio: PF apura corrupção com dinheiro de Vorcaro para “Dark Horse”

Daniel Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Foto: reprodução

A Polícia Federal apura suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em negócios que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Investigadores buscam esclarecer a origem, a entrega, a circulação e o destino dos recursos relacionados ao projeto.

Em entrevista a Renata Vasconcellos e César Tralli, Flávio afirmou que pediu a Vorcaro um “patrocínio privado” para o filme e negou irregularidades. “Não tem absolutamente nada de irregular nesse filme”, disse o senador, acrescentando que não houve transferência de recursos para ele.

A apuração da PF, no entanto, trata a relação como possível caso criminal, e não apenas como um acordo privado de patrocínio. Segundo o g1, o ponto investigado é a eventual existência de vantagem indevida na relação entre um agente público e um agente privado.

Para a suspeita de corrupção passiva, os investigadores não precisam apontar de início um ato de ofício específico como contrapartida. A linha de investigação considera se alguém solicitou ou recebeu vantagem em razão da função pública exercida.

Origem e destino do dinheiro entram na investigação

O artigo 317 do Código Penal tipifica como corrupção passiva solicitar ou receber, para si ou para outra pessoa, vantagem indevida, direta ou indiretamente, ainda que fora do exercício da função, quando ela decorre do cargo. A PF tenta identificar se essa hipótese se aplica ao caso.

Um dos elementos sob análise é a informação de que Vorcaro não queria aparecer como patrocinador de “Dark Horse”. O ex-banqueiro está preso, e sua participação no financiamento é examinada junto com a movimentação dos valores.

Os investigadores também apuram uma declaração de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Ele disse que Flávio Bolsonaro teria ido à casa de Vorcaro buscar “o restante do dinheiro”, relato que passou a integrar o conjunto de fatos examinados pela Polícia Federal.

A investigação deverá definir quem participou das tratativas, de onde vieram os recursos e para onde seguiram após a entrega. Flávio Bolsonaro sustenta que o episódio se limitou a um patrocínio para a produção do filme sobre o pai.

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