MST no Paraná fortalece organização para as eleições e a Reforma Agrária Popular

Foto: Juliana Barbosa

Por Coletivo de Comunicação e Cultura do MST, no Paraná

Da Página do MST

Vencer as eleições com o Projeto Popular nas urnas, avançar na organização da Reforma Agrária Popular nos territórios e enfrentar todas as formas de violência. Estas foram as tarefas centrais debatidas entre mais de 500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a Reunião da Coordenação Estadual no Paraná, entre os dias 20 e 22 de agosto.  

Foram três dias potentes de formação, organização, debates, mística e também de memória. Num grande encontro entre camaradas, o local foi o assentamento 8 de Junho, em Laranjeiras do Sul, mesmo local que se transformou na sede da Brigada de Solidariedade do MST PR com as famílias atingidas pelos tornados em novembro de 2025. 

A Plenária Popular: Defender a Soberania, a Natureza e Transformar a Vida do Povo Brasileiro marcou o encerramento do encontro. Com palavras de ordem e muito ânimo, ficou reafirmado o compromisso com a reeleição do presidente Lula; Gleisi e Rosinha ao Senado; de Requião Filho para o Governo do Paraná; e de uma grande bancada progressista de deputados estaduais e federais.

Estavam presentes os candidatos ao Senado pelo Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, além de candidatos à Assembleia Legislativa do Paraná e à Câmara dos Deputados. 

Foto: Juliana Barbosa

João Pedro Stedile, da Direção Nacional do MST, enviou um vídeo com uma avaliação sobre os rumos das eleições, e propôs que a militância se dedique ao diálogo direto com a população. “Nós temos que disputar o coração das pessoas. Nós temos que ir de casa em casa, conversar com as pessoas, olho no olho. O maldito zap não serve pra convencer as pessoas, porque pelas redes sociais os grupos já estão consolidados e você não muda a opinião das pessoas apenas pelas redes sociais”, afirmou.

>> Assista aqui o resumo da plenária: https://youtube.com/shorts/dDpTtFrKb8k?si=xVPe-esSBiUQdE2l 

A companheira deputada federal Gleisi enfatizou o avanço do conservadorismo e do imperialismo, que colocam as eleições deste ano como centrais para a classe trabalhadora brasileira. “É esta encruzilhada histórica. Nós temos a obrigação, enquanto campo progressista, político de esquerda, de não deixar a extrema direita voltar a governar o Brasil. É obrigação nossa”.

“Vamos fazer uma campanha intensiva, organizar o território, fazer o debate e transformar em voto e organização popular”, sintetizou Roberto Baggio, integrante da direção do MST. Baggio relacionou o espaço de reunião do encontro da militância Sem Terra ao lançamento da campanha do presidente Lula, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), no dia 16 de agosto. Aquele foi o local em que Lula fez um discurso histórico durante a greve dos metalúrgicos do ABC Paulista, há 47 anos.

Já no território do Assentamento 8 de Junho, há 30 anos era o latifúndio Giacomet-Marodin, o maior da região Sul à época, com cerca de 83 mil hectares. Em 1996, cerca de 15 mil pessoas ocuparam aquela terra, que hoje é o maior complexo da Reforma Agrária da América Latina, com cerca de 5 mil famílias camponesas.

“Os operários venceram naquele tempo histórico, e estamos aqui num lugar muito especial também. A Vila Euclides é aqui hoje, para nós camponeses. Aqui também vencemos. E o encontro dessas duas energias tem que ser a fonte pras batalhas adiante. Vamos fazer uma campanha intensiva de organizar o território, fazer o debate e esse debate transformar em voto e organização popular para os trabalhadores”, completou o dirigente. 

O encontro também teve a presença do companheiro Dr. Rosinha; além dos candidatos à Assembleia Legislativa Bia Alcântara, Guilherme Mazer, Inácio Werle, Matteus Henrique, Professor Lemos, Teresa Mendes, Vanda de Assis, e as candidatas e os candidatos à Câmara dos Deputados Ana Julia, Carol Dartora, Celio Rodrigues, Elton Welter, Luciana Rafagnin, Márcio Kieler e Tadeu Veneri.  

Anti-imperialismo para garantir soberania nacional

As místicas e os momentos formativos trouxeram a urgência da luta anti-imperialista, em especial contra as atrocidades cometidas pelo governo dos Estados Unidos, com a conivência de outros países. 

Com bandeiras, estandartes, canções, e com o ânimo e a rebeldia da Juventude Sem Terra, as centenas de militantes reafirmaram o compromisso com o princípio do internacionalismo, em especial em solidariedade a Cuba, Venezuela e Palestina. No ano do centenário de Fidel Castro, sua trajetória revolucionária e seu legado de luta, organização e defesa da soberania dos povos também foram homenageados.

Foto: Isabela Molin

Edson Bagnara, integrante da direção nacional do MST, apresentou a análise de conjuntura durante o encontro, e enfatizou o papel do Movimento neste cenário de crise estrutural do capitalismo: “É nossa tarefa estratégica disputar a integração da América Latina, buscando a união que construa  a grande pátria latino-americana”.

Violência Contra as Mulheres

A violência contra as mulheres tem se tornado um tema de preocupação recorrente, devido ao crescente aumento nos casos de feminicídio e de agressão contra a mulher no país. O Paraná é o terceiro estado com maior número de feminicídios, em 2026, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.  

O combate a violência de gênero nas mais variadas instâncias faz parte do Programa Agrário do MST, que propõe uma sociedade baseada na equidade e na justiça social. Maria Izabel Grein, integrante da coordenação do MST PR afirma: “Nós Sem Terra estamos na luta pela emancipação humana. Se queremos o socialismo, a Reforma Agrária Popular, a cooperação e a agroecologia, só é possível se nós vencermos todas as formas de violência”.

José Damasceno, coordenador da Frente de Massas no Paraná, atribui este aumento da violência de forma geral à ascensão do imperialismo internacional. “É um período crítico que nós estamos vivendo em que se consolida a ascensão do fascismo e acelera a expressão da barbárie e da violência generalizada”, afirma.  

Desde de 2022 o MST constrói nacionalmente, o Protocolo de Enfrentamento às Violências, com diretrizes e orientações para o combate às violências nos territórios da Reforma Agrária Popular, e que foi discutido na plenária estadual.  

Mirian Kunrath, coordenadora do Coletivo de Mulheres no Paraná comenta: “não é possível efetivar a Reforma Agrária Popular e a organização das nossas comunidades de resistência em ambientes violentos. A gente reafirma a necessidade de construir relações de gênero emancipadoras e que  promovam a igualdade nas condições organizativas, políticas e econômicas dentro da nossa organização”. 

Espaço da Saúde Popular Dona Maria 

O setor de saúde é um dos coletivos presentes dentro da organização do nosso Movimento e, dentro de cada base interna. O espaço onde se organiza vai além de ser apenas um local de cuidado com a saúde, é um centro formativo, um lugar de acolhimento e que representa a coletividade e a organização.

Durante os três dias do encontro estadual da coordenação, o coletivo se mobilizou para estar presente participando ativamente durante todo o tempo. Montaram o espaço Dona Maria disponibilizando uma variedade de chás, fitoterápicos, bioenergia e  terapias. O nome Dona Maria, foi colocado em homenagem a companheira com grande jornada de contribuição com a saúde popular, que faleceu em junho de 2026.

A coordenadora da saúde, Sirlei de Fátima Morais, assentada no Assentamento Guanabara, município de Imbaú, ela diz: “Entendemos que nós fizemos parte dessa organização, todo esse coletivo que está aqui participa da sua contribuição com um olhar humano para que todo o evento aconteça e nós façamos parte dessa construção, do nosso projeto popular.”

Ciranda Infantil Gralha Azul 

Nesses momentos de pensar e definir os próximos passos da organicidade do Movimento, é o trabalho conjunto que dá concretude às construções políticas coletivas. Espaços como o da ciranda infantil são fundamentais para a realização desses debates. Para além de um espaço para deixar as crianças, as-os educadoras desenvolvem atividades lúdicas e de formação.  

Denice de Campos, educadora que trabalha na ciranda há mais de 10 anos, conta sobre a importância desse espaço. “Ela tem esse papel de garantir que as mulheres participem dos encontros do Movimento, já que na maioria das vezes quem fica em casa seriam as companheiras, que se tivessem com quem deixar o filho, não viria. E nesse encontro nós temos bastante companheiras, isso reflete como é fundamental a ciranda”.  Ciranda Infantil Gralha Azul promove atividades lúdicas e educativas para as crianças durante o Encontro Estadual do MST no Paraná.

A ciranda recebe crianças de seis meses a 12 anos de idade. Durante esse encontro foram recebidas quinze crianças e dez educadores.

Assembleia da Juventude

A juventude Sem Terra tem atuado como uma das linhas de frente do MST, propagando e difundindo as linhas políticas do Movimento. A juventude organizada tem realizado diversas mobilizações, entre elas, a Jornada da Juventude Sem Terra com o tema da solidariedade entre os povos, o anti imperialismo e a luta pelo socialismo. 

“A gente precisa estar à frente de todos os processos de luta do Movimento Sem Terra no próximo período. A juventude é quem incendeia as ideias revolucionárias, nós vamos bater no peito e defender o socialismo, afirmou a dirigente da juventude, Ana Clara Garcia Lazzarin. 

>> Confira aqui as tarefas da juventude: 

Que também frisou a importância da formação para os jovens, aproveitando os cursos realizados a partir do Programa de Educação para Reforma Agrária (Pronera). 

A agroecologia que vira alimentação saudável no prato 

Durante a Reunião da Coordenação Estadual do MST, a alimentação foi garantida para as centenas de pessoas participantes com qualidade, diversidade e fartura. Cada região e brigada trouxe os utensílios e também a diversidade de alimentos produzidos nos territórios: legumes, frutas, mandioca, batata, grãos, pães, café, bolachas, doces, carnes e tantos outros alimentos.

A organização funcionou a partir de cinco cozinhas coletivas, de diferentes regiões do estado. Companheiras e companheiros se revezaram nas cozinhas para preparar as refeições e garantir a energia de toda a militância participante.

Ângela Paixão, produtora agroecológica da comunidade Recanto da Natureza, de Laranjeiras do Sul, estava entre as coordenadoras da cozinha. Ela contou que os trabalhos começaram dias antes, para garantir a infraestrutura mínima, e também com a produção de pães, bolachas e as colheitas nas comunidades, em todo o estado. 

“Os alimentos que estão aqui, que a gente está servindo, essa diversidade que vocês viram aqui durante esse período, veio das nossas áreas, frutas, verdura, os assentamentos, eles produzem comida, os acampamentos eles produzem comida. Nós produzimos nosso alimento, nosso alimento saudável, de qualidade”, garantiu a camponesa. 

>> Veja aqui um pouco mais sobre como funcionaram as cozinhas coletivas: https://youtube.com/shorts/13K4nDmuOaQ?is=56wAPPOxmuwHY71x 

Ao final deste grande encontro, realizado a muitas mãos, a síntese da companheira Bruna Zimpel, integrante da Coordenação Nacional do MST, reforçou a importância do avanço nas ações de formação e organização nos territórios: “A fortaleza de uma organização é o povo organizado e com consciência”. A militante Sem Terra do Paraná voltou para as comunidades da Reforma Agrária com as energias renovadas para construir uma grande campanha e seguir, no cotidiano, fortalecendo a organização popular e a construção do Projeto Popular para o Brasil. 

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