
O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-deputado estadual Arthur do Val, conhecido como Mamãe Falei, por incitação ao crime após declarações em um vídeo sobre a Operação Carbono Oculto. O promotor Roberto Bacal, do Juizado Especial Criminal, apresentou a acusação em 25 de agosto.
A denúncia cita uma fala de Arthur em seu canal no YouTube dirigida a operadores financeiros ligados à lavagem de dinheiro para o crime organizado. “Oh! Vagabundo da Faria Lima que lava dinheiro para o crime organizado tem que ser morto”, afirmou o ex-parlamentar no vídeo.
A acusação do MPSP trata a declaração como incitação ao crime. O caso agora seguirá os procedimentos judiciais cabíveis para análise da denúncia.

Operação Carbono Oculto investigou lavagem de dinheiro no setor de combustíveis
A Operação Carbono Oculto começou em agosto de 2025 para investigar um esquema criminoso no setor de combustíveis com núcleos atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e a operadores da Faria Lima. A força-tarefa classificou a ofensiva como a maior operação contra o crime organizado já realizada no país.
Cerca de 1.400 agentes participaram das ações ao longo de um ano. A operação reuniu Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal, Polícia Federal, polícias Civil e Militar, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo e outros órgãos públicos.
As investigações buscaram desarticular fraudes e lavagem de dinheiro em diferentes etapas da cadeia de combustíveis, da importação e produção à distribuição, comercialização e ocultação patrimonial por instituições de pagamento e fundos de investimento.
A Receita Federal apontou que uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheu pouco mais de R$ 90 milhões em impostos, equivalente a 0,17% do total. Os investigadores também apuraram o uso de 40 fundos, com patrimônio de R$ 30 bilhões, para lavar recursos do esquema.