Moro e Mendonça, eternamente abraçados na lata de lixo da História
por Eduardo Ramos
Vários filmes e livros abordam o mal ou o pecado, no sentido religioso, em suas vertentes mais perversas e doentias, como fruto da vaidade ou seu irmão próximo, o narcisismo. Creio nisso. Creio que ao se olharem no espelho os homens acometidos da vaidade e/ou narcisismo enxergam de modo patético e quase insano, homens de estatura muito mais elevada do que a realidade – o reflexo é falso, é distorcido e essas pobres criaturas enxergam gigantes, sendo na verdade anões no sentido existencial, espiritual, ético e até nos quesitos mais básicos como inteligência e estratégia.
Analisando essas premissas básicas, é cristalina, gritante mesmo, a semelhança entre Sérgio Moro e André Mendonça – dois anões que se viram gigantes, heroicos e tentaram por suas mãos e poder criar à força um Brasil que representasse suas ideologias, seus preconceitos, seus medos, e acima de tudo, seus muitos ódios, típico das almas mais enfermas desse mundo.
É interessante e trágico para suas biografias que ambos tenham como ídolo, como um mito em suas mentes uma pessoa repulsiva, medíocre, maligna, como Jair Bolsonaro. Só esse detalhe já os une umbilicalmente e demonstra a miséria psíquica e doentia de suas almas. Não é pouca coisa.
Moro, perdido em sua vaidade e arrogância, planejando obviamente brilhar no Ministério da Justiça e depois ser alçado ao objetivo maior, a presidência da República, cometeu seu erro mais estúpido – largou a magistratura onde detinha poder incomensurável para se tornar lacaio de Bolsonaro. Deu no que deu. Uma sombra do homem que já foi o mais poderoso do país, hoje com uma carga de desprezo fenomenal por grande parte da sociedade, resta-lhe a admiração dos fanáticos, os discursos ridículos no senado que só expõem ao mundo sua mediocridade intelectual e limitações.
Segue sua trilha em passos céleres o ministro André Mendonça, a História é implacável com quem se perde de si dessa forma alucinada e tenta, de modo messiânico, conquistar coisas para as quais não tem nenhum escopo ou preparo – o famoso “dar um passo maior do que a perna”.
Fico pensando se André Mendonça, por megalomania ou fanatismo, achou mesmo que num STF que ainda tem gente de brios e coragem cívica, ninguém reagiria a seus desatinos. Ou que a sociedade civil não se cansaria de sua blindagem descarada aos aliados como Claudio Castro e o principal deles, Flávio Bolsonaro. Ao tentar criar uma tempestade que gerasse o caos, a baderna, o descrédito do STF, terá pensado nosso “gigante” que não haveria reação??? Cego, não percebeu o “gigante” que era questão de tempo que o furacão o colhesse e despedaçasse sua arrogância fanática, como em breve ocorrerá.
Sérgio Moro e André Mendonça… me lembram o personagem do filme “o homem que queria ser rei” – e lá estava ela, a vaidade, e lá estava ele, o narcisismo, ambos cegantes, ambos distorcendo impiedosamente a visão do homem sobre si mesmo, como um Fausto cruel que parece estar concedendo tudo, para logo depois chegar com a conta a ser paga.
Unidos pelo fanatismo, unidos pela arrogância, unidos pela vaidade, unidos pelo mesmo mito, quem diria, Jair Messias Bolsonaro…
Triste fim de ambos, nessa imensa lata de lixo que a História reserva para gente assim!
(eduardo ramos)
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