
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF), seis anos depois de ver Alexandre de Moraes impedir que Alexandre Ramagem, aliado de Jair Bolsonaro, assumisse o mesmo cargo. A informação é da coluna de Igor Gadelha no Metrópoles.
Mendonça também afastou Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação. A decisão saiu na terça (8), no âmbito dos casos conhecidos como Caso Master e Farra do INSS, relatados pelo ministro no STF.
Em 28 de abril de 2020, Bolsonaro nomeou Mendonça para o Ministério da Justiça e, no mesmo dia, indicou Ramagem para comandar a Polícia Federal. Mendonça tomou posse na pasta, mas Ramagem não chegou ao cargo.
Moraes suspendeu a nomeação de Ramagem ao apontar desvio de finalidade. O ministro considerou declarações de Sergio Moro, que havia deixado o Ministério da Justiça acusando Bolsonaro de tentar interferir em investigações para proteger familiares.

Moraes citou acusações de Moro ao barrar Ramagem em 2020
Na decisão de 2020, Moraes reproduziu a afirmação de Moro de que Bolsonaro pretendia nomear Ramagem para ter “interferência política” na PF, com uma pessoa de contato pessoal que pudesse “colher informações” e relatórios de inteligência.
Agora, Mendonça adotou medida contra Andrei Rodrigues após a produção de relatórios de inteligência sobre o próprio ministro. A decisão também impede a elaboração ou o compartilhamento de documentos sobre a atuação de magistrados.
O ministro afirmou que a providência busca assegurar que integrantes do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e servidores da Polícia Federal exerçam suas funções “sem constrangimentos ilegais”.
Ao justificar os afastamentos, Mendonça escreveu que havia “inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes” na conduta de Andrei Rodrigues e classificou como grave e ilícita a produção dos relatórios de inteligência divulgados por Moraes.